O principal resultado deste estudo de 10 anos é a redução do relato sobre a experiência de sexo pago com menores de 18 anos
A Childhood Brasil divulgou a terceira edição da pesquisa “O Perfil do Caminhoneiro no Brasil”, um estudo sequencial de 10 anos (2005 e 2010), que apresenta dados sociobiodemográficos, a profissão e a rotina, além de monitorar a mudança de percepção do caminhoneiro sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes (ESCA) nas estradas. A pesquisa foi realizada com o propósito de aprofundar o entendimento sobre o problema e aprimorar as ações de sensibilização e enfrentamento, tendo como foco prioritário a participação dos profissionais que podem fazer a diferença, os caminhoneiros que rodam pelo país e que têm o importante papel de contribuir para acabar com a exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas. O estudo, inédito no âmbito internacional, contou com a participação de 680 motoristas, todos homens, entrevistados nos estados de Sergipe, Rio Grande do Sul, Pará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. O principal resultado após 10 anos é a redução do relato sobre a experiência de sexo pago com menores de 18 anos. A análise dos dados mostrou que o envolvimento dos trabalhadores do transporte rodoviário de cargas com a ESCA é situacional, moldado por variáveis pessoais (crenças), contextuais (influência do grupo social) e culturais (naturalização da situação ). Em relação à exploração sexual de crianças e adolescentes, houve redução significativa no envolvimento dos caminhoneiros: 87,3% dos entrevistados afirmaram que nunca se envolveram em relação de comércio sexual com crianças ou adolescentes. Em 2010, esse número era de 82,1% e, em 2005, de 63,2%. Saber que é errado/ser contra foi o principal motivo apontado pelos caminhoneiros (25,4%) para não sair com crianças ou adolescentes. O segundo foi respeitar as crianças (24,9%) e o terceiro, não ter desejo sexual (21,9%). Desde 2010, a pesquisa também é realizada com caminhoneiros de empresas que participam do Programa Na Mão Certa e, nesse grupo, o percentual cada vez maior de argumentos de cunho moral/legal e pessoal prova a importância da informação, sensibilização e educação como formas mais eficazes do que a coerção. Em 2015, 95% dos entrevistados concordaram que a prostituição é comum nos postos e estradas por onde andam e 79,1% afirmaram ser comum ver meninos e meninas menores de 18 anos sendo explorados Em 2010, esses valores eram 98,5% e 89,6%; e, em 2005, 99,2% e 93,7%, respectivamente. Trata-se do primeiro forte indicador de redução da percepção da exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas nos últimos anos. “A pesquisa mostra que já houve grandes avanços na conscientização por parte dos caminhoneiros e empresas em relação ao tema”, explica Eva Dengler, gerente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil. Questionados sobre a proteção às crianças e adolescentes, a pesquisa mostrou que em 2015, o conhecimento dos caminhoneiros sobre as leis e serviços de proteção teve diferentes variações em relação a 2010: nesse ano: 82,6% dos entrevistados conhecem o Conselho Tutelar; 66,2% conhecem o Disque100; 58% conhecem o Juizado; 55,8%, o Estatuto da Criança e do Adolescente; 21,9% os CREAS/CRASe 21% a Delegacia da Criança e do Adolescente. No entanto, ainda existem certas disparidades que tornam o grupo de caminhoneiros heterogêneo quanto ao envolvimento com o problema.