Como é o mundo visto pelos olhos de um bebê ou de uma criança pequena? É essa a pergunta que guia a exposição Primeiras Infâncias Brasileiras, realização da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e da Intercultura, em cartaz no Solar Fábio Prado, em São Paulo, de julho a setembro, com entrada gratuita.
A mostra reúne ambientes interativos, instalações audiovisuais e experiências sensoriais construídas por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores. O percurso aborda temas como desenvolvimento infantil, cuidado, brincadeira, desigualdades sociais e direitos das crianças, transformando conhecimento científico, normalmente restrito ao meio acadêmico, em experiência sensível para o público.
A curadoria conceitual é assinada pela psicóloga e pesquisadora Juliana Prates Santana, especialista em desenvolvimento infantil, a partir de um processo colaborativo com pesquisadores de diferentes regiões do país e de áreas como psicologia, educação, saúde, ciências sociais, cultura e políticas públicas.
Ao longo da visita, o público alterna escalas de observação: ora se aproxima dos “micro gestos” da infância, primeiros sorrisos, passos, palavras e brincadeiras, ora se afasta para revelar os contextos sociais, culturais, econômicos e políticos que moldam o desenvolvimento infantil no Brasil. Habitação, saúde, educação, saneamento, segurança e redes de apoio aparecem como peças-chave desse quebra-cabeça.
Um dos princípios centrais da mostra é reconhecer que não existe uma única infância brasileira, mas muitas, atravessadas por questões territoriais, raciais, sociais, econômicas e de gênero. A proposta é evitar romantizações e estereótipos, apresentando a diversidade real das crianças do país por meio de imagens, vozes, sons, relatos e dados.
“Os primeiros anos de vida representam uma janela única de oportunidades para o desenvolvimento humano. Mas não existe uma única infância brasileira. Existem muitas, tão diversas quanto o próprio Brasil.
Esta Exposição convida o público a conhecer e valorizar essa riqueza, mas também a refletir sobre as desigualdades que limitam as oportunidades de muitas crianças. Reconhecer essas diferenças é fundamental para promover um começo de vida com cuidado, afeto e oportunidades para todas”,
afirma Paula Perim, diretora de Sensibilização da Sociedade da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
Pensada para dialogar com crianças, famílias, educadores, pesquisadores e visitantes sem relação direta com o tema, a exposição investe em acessibilidade: Libras, audiodescrição, comunicação alternativa, conteúdos táteis, textos ampliados e mapas táteis.