Pioneiros na luta contra o abuso e a exploração sexual DE crianças e adolescentes

Barco Infância Protegida: Childhood Brasil e CNMP apresentam projeto para levar proteção a crianças vítimas de violência sexual no Marajó

POR Redação 26/05/2026
Tempo de leitura: 3 mins

A cada hora, oito crianças e adolescentes são vítimas de violência sexual no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. Em regiões isoladas e de difícil acesso, como o arquipélago do Marajó, no Pará, a distância entre as vítimas e a rede de proteção torna o enfrentamento ainda mais desafiador.

Para enfrentar essa realidade, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e a Childhood Brasil, apresentam o projeto Barco Infância Protegida. A iniciativa dispõe de atendimento especializado a crianças e adolescentes em comunidades ribeirinhas da região.

O projeto foi oficialmente apresentado em evento realizado na sede do Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal do Conselho no YouTube. Durante o encontro, também foram formalizadas parcerias institucionais que viabilizarão a aquisição da embarcação, prevista para entrar em operação em 2027.

Confira:

O barco funcionará como uma unidade fluvial de atendimento humanizado, reunindo, em um único espaço, serviços considerados essenciais para a proteção das vítimas, como escuta especializada, perícia criminal, atendimento psicossocial, suporte técnico às investigações e atendimento de saúde. A proposta é reduzir a revitimização de crianças e adolescentes e ampliar o acesso à rede de proteção em áreas onde o deslocamento, muitas vezes, depende exclusivamente dos rios.

A ação é resultado de um acordo de cooperação entre o CNMP, a Childhood Brasil, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e o Governo do Pará, que recebeu apoio do Sistema Transporte — formado por SEST, Senat, CNT e ITL. O evento também celebrará a inclusão de novos parceiros no projeto: o Grupo Sada e a Tiffany & Co em conjunto com a Oportunidade do Bem, plataforma filantrópica criada por Ana Eliza Setúbal.

A Childhood Brasil é responsável por mobilizar recursos para a aquisição da embarcação, além de articular o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente da região para o funcionamento dos serviços, bem como prover capacitação e acompanhamento da operação por dois anos.

Painel Diagnóstico Marajó

O evento também marcou o lançamento do painel “Diagnóstico Marajó”, uma ferramenta de Business Intelligence desenvolvida para consolidar dados sobre violência sexual infantil e vulnerabilidades sociais na região. A iniciativa busca subsidiar políticas públicas, orientar ações integradas e acompanhar indicadores relacionados à proteção da infância no arquipélago.

A programação reuniu painéis sobre os desafios da atuação institucional no Marajó e sobre a prestação de serviços públicos em áreas remotas da Amazônia. Também foram debatidos temas como escuta protegida, depoimento especial e atuação integrada do sistema de justiça na defesa de crianças e adolescentes vítimas de violência.

A abertura foi conduzida pelo presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, Paulo Gonet. Participaram ainda Luiz Lara (Vice-presidente do Conselho Deliberativo da Childhood Brasil), Laís Peretto (Diretora executiva da Childhood Brasil), além de representantes do Ministério Público do Estado do Pará, do Governo do Pará, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará e especialistas em proteção à infância.

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