Pioneiros na luta contra o abuso e a exploração sexual DE crianças e adolescentes

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Afastei a vítima da situação de risco, ou então ela me revelou uma violência passada. Como conversar com ela e fazê-la sentir segura?

POR Redação 23/02/2026
Tempo de leitura: 4 mins

Afastei a vítima da situação de risco, ou então ela me revelou uma violência passada. Como conversar com ela e fazê-la sentir segura?

Nesse momento delicado, queremos que a vítima saiba que está protegida e que tem um espaço seguro para se expressar sem julgamentos ou pressão.

Enchê-la de perguntas pode intimidar e confundir. Lembre-se que ela pode ainda estar racionalizando o fato, não importa há quanto tempo ocorreu.

Ocorrência presente

  1. Verifique se a vítima está bem;
  2. Diga que você está lá para ajudá-la no que for preciso;
  3. Reafirme que o ocorrido não é culpa dela;
  4. Mantenha a calma e a paciência: seu estado pode influenciar o dela;
  5. Não toque ou abrace a vítima sem antes pedir permissão, mesmo que você a conheça: isso pode assustá-la;
  6. Respeite os desejos da vítima e não a pressione;
  7. Leve-a até um adulto de confiança, como um dos pais ou responsáveis (momento 3).

Ocorrência passada

Se a criança ou adolescente revelou espontaneamente para você uma situação de violência sexual da qual foi vítima, seu papel é de ouvir o que está sendo falado (levando sempre em consideração o estágio de desenvolvimento da pessoa, já que isso influencia sua forma de comunicação). Isso é escuta ativa apropriada para a idade.

A escuta ativa pressupõe:

  1. Respeitar o tempo da criança de relembrar os fatos, criar a própria narrativa e ao mesmo tempo elaborar o que aconteceu.
  2. Ouvir com calma, sem desespero e sem julgamento.
  3. Encontrar um local reservado para a conversa, para que o indivíduo não precise se expor.
  4. Cuidar para não reproduzir vieses que culpabilizam a vítima pelo que houve.

↳ Lembre-se: todos nós estamos sujeitos, principalmente em um momento de choque e preocupação, a dizer frases ou fazer perguntas preconceituosas, pois carregamos crenças produzidas por nossa cultura. Não há problema em corrigir a própria fala quando isso acontece: a vítima irá provavelmente apreciar a sua honestidade e pode abrir-se ainda mais diante desse laço de confiança.

  1. Demonstrar confiança no que a vítima está contando.
  2. Respeitar os direitos e a autonomia da vítima, jamais forçando atitudes.

↳ Não é porque você está falando com uma pessoa em fase de desenvolvimento, que ela não tem as próprias opiniões, valores e vontades. É um desafio, mas o papel do adulto é respeitar a autonomia da criança e adolescente ao mesmo tempo em que provém segurança e orientação. É assim que age o cidadão de boa fé, cumprindo com seu dever constitucional de zelar pelas infâncias e adolescências!

Por fim, ao mesmo tempo em que é necessário validar o que está sendo falado e reconhecer a seriedade da situação, é muito importante evitar assustar a criança: situações de violência podem nos ferir muito, mas é possível se recuperar e se reerguer.

Importante! Ouvir ativamente é diferente de investigar. O objetivo da escuta ativa é entender a perspectiva da vítima e garantir que ela esteja se sentindo segura para relatar. A investigação e julgamento da ocorrência, assim como o encaminhamento da vítima, é responsabilidade da polícia, Ministério Público e Conselho Tutelar.

O que fazerO que não fazer
Garantir que a vítima sinta-se segura e ouvidaRevitimizar a criança ou adolescente, fazendo-o reviver o trauma
Manter a calmaCulpabilizar a vítima pelo que ocorreu
Afastar o perigoInterrogar exaustivamente
Informar a vítima sobre seus direitos e sobre o que acontecerá a seguir, sempre que possívelIgnorar ou duvidar do relato
Respeitar o tempo da vítimaSubestimar a necessidade de apoio profissional
Expor a vítima desnecessariamente ou contra sua vontade

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