Afastei a vítima da situação de risco, ou então ela me revelou uma violência passada. Como conversar com ela e fazê-la sentir segura?
Afastei a vítima da situação de risco, ou então ela me revelou uma violência passada. Como conversar com ela e fazê-la sentir segura?
Nesse momento delicado, queremos que a vítima saiba que está protegida e que tem um espaço seguro para se expressar sem julgamentos ou pressão.
Enchê-la de perguntas pode intimidar e confundir. Lembre-se que ela pode ainda estar racionalizando o fato, não importa há quanto tempo ocorreu.
Se a criança ou adolescente revelou espontaneamente para você uma situação de violência sexual da qual foi vítima, seu papel é de ouvir o que está sendo falado (levando sempre em consideração o estágio de desenvolvimento da pessoa, já que isso influencia sua forma de comunicação). Isso é escuta ativa apropriada para a idade.
A escuta ativa pressupõe:
↳ Lembre-se: todos nós estamos sujeitos, principalmente em um momento de choque e preocupação, a dizer frases ou fazer perguntas preconceituosas, pois carregamos crenças produzidas por nossa cultura. Não há problema em corrigir a própria fala quando isso acontece: a vítima irá provavelmente apreciar a sua honestidade e pode abrir-se ainda mais diante desse laço de confiança.
↳ Não é porque você está falando com uma pessoa em fase de desenvolvimento, que ela não tem as próprias opiniões, valores e vontades. É um desafio, mas o papel do adulto é respeitar a autonomia da criança e adolescente ao mesmo tempo em que provém segurança e orientação. É assim que age o cidadão de boa fé, cumprindo com seu dever constitucional de zelar pelas infâncias e adolescências!
Por fim, ao mesmo tempo em que é necessário validar o que está sendo falado e reconhecer a seriedade da situação, é muito importante evitar assustar a criança: situações de violência podem nos ferir muito, mas é possível se recuperar e se reerguer.
Importante! Ouvir ativamente é diferente de investigar. O objetivo da escuta ativa é entender a perspectiva da vítima e garantir que ela esteja se sentindo segura para relatar. A investigação e julgamento da ocorrência, assim como o encaminhamento da vítima, é responsabilidade da polícia, Ministério Público e Conselho Tutelar.
| O que fazer | O que não fazer |
|---|---|
| Garantir que a vítima sinta-se segura e ouvida | Revitimizar a criança ou adolescente, fazendo-o reviver o trauma |
| Manter a calma | Culpabilizar a vítima pelo que ocorreu |
| Afastar o perigo | Interrogar exaustivamente |
| Informar a vítima sobre seus direitos e sobre o que acontecerá a seguir, sempre que possível | Ignorar ou duvidar do relato |
| Respeitar o tempo da vítima | Subestimar a necessidade de apoio profissional |
| Expor a vítima desnecessariamente ou contra sua vontade |