Segundo o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 45,6 milhões de brasileiros vivem com algum tipo de deficiência em enxergar, ouvir, caminhar ou deficiência mental/intelectual. Estima-se que desse total, 7,5% são crianças de até 14 anos de idade, ou seja: cerca de 3,5 milhões de crianças.
Instituída no Brasil em 24 de agosto de 1964, pelo Decreto Nº 54.188, a Semana Nacional da Criança Excepcional é celebrada, anualmente, do dia 21 ao dia 28 de agosto, um momento de conscientizar toda a população sobre as necessidades específicas das crianças excepcionais e desconstruir preconceitos.
O significado de ‘excepcional’ foi e ainda é muito debatido, porém o termo geralmente é utilizado para designar crianças que diferem de outras crianças em fatores como:características mentais, capacidades sensoriais;capacidades motoras ou físicas;comportamento social;capacidades de comunicação; entre outros. Para serem consideradas crianças com deficiência, a criança deve apresentar dificuldades significativas em, pelo menos, uma dessas áreas.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece para TODAS as crianças e adolescentes brasileiros o direito inalienável à saúde, educação, alimentação, lazer e liberdade.Há também alguns pontos da legislação voltados especialmente para garantir a proteção de meninas e meninos com deficiência.
Alguns deles:
Um estudo divulgado pelo Unicef em 2013 revelou que crianças com deficiência têm probabilidade três ou quatro vezes mais alta de serem vítimas de violência – seja negligência, violência física, psicológica ou sexual. Segundo a pesquisa, um dos fatores de risco para a maior incidência de violência em crianças com deficiência é o fato de que muitas delas acabam sob tutela do governo – o que aumenta o risco de abusos físicos e sexuais. Outro ponto de atenção é a vulnerabilidade de crianças com dificuldades de comunicação, já que essa dificuldade pode prejudicar a capacidade da criança de relatar/denunciar violações.
Segundo dados coletados pelo Ministério da Saúde entre 2011 e 2017, do total de 58.037 casos de violência sexual contra crianças de 0 a 9 anos, 1.910 vitimizaram crianças com algum tipo de deficiência.
Fundamental para a proteção de qualquer criança e adolescente, a informação e o diálogo são extremamente importantes na prevenção do abuso sexual de crianças com deficiência. No caso de crianças com alguma deficiência mental e intelectual, o processo educativo tem que ser conduzido de maneira ainda mais cautelosa, por pessoas integrantes do círculo afetivo da criança que tenham preparo para abordar o tema.
Ainda que não exista um passo-a-passo para abordar temas envolvendo sexualidade e prevenção ao abuso sexual com crianças com deficiência – considerando a ampla gama de deficiências e níveis de comprometimento -, há algumas orientações relevantes para familiares, responsáveis ou educadores que conversarão sobre sexualidade com uma criança com deficiência: