A Casa Brasil Export, em Brasília, sediou uma reunião especial do Conselho Feminino do Grupo Brasil Export, que reuniu representantes de agências reguladoras, ministérios, empresas públicas e entidades do setor para discutir os desafios da logística brasileira e a participação de mulheres na construção de políticas públicas voltadas ao transporte, à sustentabilidade e ao desenvolvimento.
Durante o encontro, a Childhood Brasil apresentou o Projeto Barco Infância Protegida, desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Ministério Público do Estado do Pará e o Governo do Pará.
A iniciativa que pretende levar atendimento integrado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual, foi apresentada no painel “Contribuições do setor de infraestrutura para novos horizontes de sustentabilidade e proteção social”. Na ocasião, o gerente de Advocacy e Relações Governamentais da Childhood Brasil, Thiago Vizioli, destacou que o projeto conecta desenvolvimento econômico e responsabilidade social em regiões impactadas por corredores logísticos.
O projeto surgiu a partir de uma provocação do CNMP diante dos desafios enfrentados pelas comunidades do arquipélago do Marajó, onde as distâncias e as limitações de acesso dificultam a chegada da população aos serviços públicos.
“Em uma região onde muitos municípios estão a mais de dez horas da capital, não faz sentido esperar que as vítimas cheguem aos serviços públicos. É preciso levar o Estado até elas”,
afirmou Thiago.
O barco será estruturado como um Centro de Atendimento Integrado Flutuante (CAIF), reunindo atendimento psicossocial, consultório médico, perícia, delegacia especializada, sala de depoimento especial e atuação do Ministério Público. A estrutura busca facilitar o acesso aos serviços, reduzir deslocamentos e evitar a revitimização de crianças e adolescentes.
Além da construção e da equipagem da embarcação, a Childhood Brasil será responsável por estruturar protocolos de atendimento e capacitar profissionais das áreas de saúde, assistência social, segurança pública e justiça.
“Nosso papel é garantir que o serviço seja permanente e preparado para atender essa população”,
destacou Thiago.
A apresentação também trouxe uma reflexão sobre o papel das empresas de infraestrutura na proteção social dos territórios onde atuam. Segundo Vizioli, o crescimento dos investimentos no Arco Norte, com a expansão de terminais, rodovias e corredores logísticos, intensifica a circulação de pessoas e pode aumentar a vulnerabilidade de comunidades expostas a grandes empreendimentos.
O Barco Infância Protegida foi desenvolvido por professores do curso de Engenharia Naval da Universidade Federal do Pará (UFPA) e está orçado em R$ 7,5 milhões. Para viabilizar a iniciativa, a Childhood Brasil realiza a captação de recursos por meio de cotas de R$ 500 mil destinadas à iniciativa privada. Até o momento, o projeto conta com o apoio do SEST SENAT, Grupo Sada, Tiffany & Co. e da plataforma filantrópica Oportunidade do Bem, enquanto novas parcerias seguem em negociação.
O encontro teve como foco as contribuições do setor de infraestrutura para a sustentabilidade e a proteção social, debatendo como o desenvolvimento econômico pode caminhar lado a lado com a responsabilidade socioambiental e o cuidado com as pessoas.
Os debates também destacaram a importância de uma atuação integrada entre diferentes áreas da infraestrutura, com maior conexão entre políticas públicas, investimentos e as demandas da população.