18
jun
2018

Crianças e adolescentes representam 68% das vítimas de estupros notificados ao SUS

childhood_blog

O Atlas da Violência 2018, divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que o número de estupros de crianças e adolescentes em 2016 atingiu 68% dos casos notificados ao SUS (Sistema Único de Saúde). Crianças até 13 anos são o público mais vulnerável, concentrando 50,9% das notificações, seguido de adultos (32,1%) e de adolescentes, entre 14 e 17 anos, (17%).

O levantamento, realizado anualmente, aponta ainda que quase um terço dos agressores de crianças são amigos e conhecidos da vítima e outros 30% são familiares mais próximos como país, mães, padrastos e irmãos. O cruzamento de faixas etárias mostra que a proporção de vítimas adolescentes e de crianças obteve aparente estabilidade em comparação com o ano anterior.

O estudo destaca que, quando o estuprador era conhecido da vítima, em 54,9% dos casos tratavam-se de abusos que já vinham acontecendo anteriormente e em 78,5% dos casos ocorreram na própria residência da vítima.

Confira o documento na íntegra aqui

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18
mai
2018

Childhood Brasil lança campanha e alerta sobre abordagem do agressor

Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, instituição destaca a importância de aprender a identificar os sinais de violência sexual; criação é da Giusti 

anuncios_childhood_posts01Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a Childhood Brasil lança uma série de anúncios no jornal O Estado de S.Paulo para reforçar a relevância do enfrentamento desse problema tão grave no país, buscando jogar luz sobre a importância de as pessoas discutirem sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes e tirar o tema da invisibilidade que protege os agressores da responsabilização.

Intitulada “Ele Disse”, a campanha criada pela agência Giusti busca fazer um alerta por meio da própria abordagem do agressor. Além de mídia impressa, a campanha também será ativada no meio digital e nos canais  da Childhood Brasil.

anuncios_childhood_posts02“Os agressores se aproximam e criam laços fortes com crianças e adolescentes, fazendo-os acreditar que a violência é algo normal em seu desenvolvimento e, assim, convencendo-os a se calar diante da situação. A maior parte dessas relações, inclusive, são estabelecidas dentro da própria família, tornando o crime muito mais difícil de ser denunciado. É muito importante aproveitarmos o 18 de maio para conscientizar as pessoas com uma mensagem tão impactante quanto o próprio problema”, explica Heloisa Ribeiro, diretora executiva da Childhood Brasil.

Ficha Técnica:

Cliente: Childhood Brasil
Agência: Giusti
Campanha: “Ele Disse”
Anúncios: “Vaca-amarela” e “Pega-pega”
Direção de Criação: Daniela Dahrouge
Criação: Daniela Dahrouge e Christian Seki
Atendimento: Marcela Branco e Francisco Itacarambi
Mídia: Gabriela Santos e Ana Carolina Santos
Aprovação: Ana Maria Drummond e Heloisa Ribeiro

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21
mar
2018

Dia Mundial da Infância: como incentivar a autoproteção?

A melhor forma de prevenir a violência sexual contra crianças e adolescentes é o conhecimento. Ensiná-los o que é e o que se pode fazer diante de situações como essa, além empoderador, contribui positivamente para a garantia de uma infância cada vez mais protegida.

Hoje, data em que é comemorado o Dia Mundial da Infância, confira as dicas que a Childhood Brasil preparou para pais, responsáveis e amigos iniciarem um diálogo sobre a autoproteção com os meninos e as meninas de seus convívios.

Ensine sobre o assunto

Existem várias tipificações de violência contra crianças e adolescentes, e o primeiro passo para a proteção é o conhecimento. Dessa forma, para garantir que as vítimas ou testemunhas saibam como agir diante de tal situação, uma das coisas que devemos ensiná-los é a diferença entre abuso e exploração sexual – considerando que ambos são manifestações de um conceito mais amplo, chamado violência sexual.

Enquanto o abuso acontece quando uma criança ou adolescente é usado para estimulação ou satisfação sexual de um adulto, a exploração pressupõe uma relação de mercantilização, na qual o sexo é fruto de uma troca, seja ela financeira, de favores ou presentes.

Saiba mais sobre os termos.

Tenha um diálogo aberto

Além do conhecimento, conversar abertamente sobre o assunto é importantíssimo para educar a respeito da autoproteção.

O diálogo opera em duas frentes: tanto com os adultos ensinando que crianças e adolescentes são donos de seus corpos e podem recusar qualquer carinho quanto as próprias crianças se sentindo à vontade em relatar situações que configuram casos de violência. Nessa relação, a transparência é a chave para que essa troca ocorra naturalmente.

Mantenha a atenção na internet

Como a internet faz parte do cotidiano e tornou-se ferramenta de lazer, não podemos deixar de prevenir sobre os perigos existentes por trás dos computadores e smartphones.

Nessas situações, é recomendado que os responsáveis acompanhem de perto e orientem sobre os espaços seguros para frequentar. É muito importante instruir as crianças e os adolescentes para não divulgar nome, endereço, telefone, fotografias, escola e e-mail em locais on-line, como salas de bate-papo e sites desconhecidos.

Para mais informações sobre como orientar as crianças e os adolescentes a navegar com segurança na internet, faça o download da nossa cartilha clicando aqui.

Manter os olhos sempre abertos e denunciar em caso de suspeita de qualquer violação de direitos contra crianças e adolescentes também é importante. Disque 100, baixe o aplicativo Projeta Brasil ou entre em contato com o conselho tutelar e a polícia da região. Proteger a infância é papel de todos!

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19
mar
2018

Boas práticas: conheça o Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio de Brasília

Buscando disseminar iniciativas que reforcem a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violências, inclusive a sexual, a Childhood Brasil lançou a publicação Centros de Atendimento Integrado a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violências: Boas Práticas e Recomendações para uma Política Pública de Estado. O livro apresenta seis exemplos bem-sucedidos de Centros de Atendimento Integrado no Brasil e dois fora dele, subsidiando municípios para que eles possam repensar seus sistemas de atendimento de acordo com a Lei 13.431/2017, que entra em vigor no país em abril de 2018.

O Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio, localizado em Brasília, é uma das experiências apresentadas no livro e teve sua criação debatida a partir de 2011, época em que o Disque 100, canal do governo federal para denúncias de casos de violência, apontava o Estado em primeiro lugar no ranking de denúncias de violência contra crianças e adolescentes. Tendo isso em mente, a Childhood Brasil mediou o contato entre o representante do National Children’s Advocacy Center (NCAC), do Alabama, Estados Unidos, e o então secretário da Secretaria de Estado de Políticas para Crianças e Adolescente durante a realização do I Encontro Nacional de Experiências de Tomada de Depoimento Especial no Judiciário Brasileiro. O resultado dessa experiência foi a constituição de um Grupo de Trabalho (GT) informal que iniciou a discussão, ainda em 2011, sobre a criação de um centro de atendimento integrado no DF.

Durante meses, o GT se debruçou na montagem do projeto, incluindo o formato do Centro, a construção de fluxo de atendimento, as competências dos órgãos parceiros, o perfil da equipe e a estrutura necessária para a concretização da proposta. Após reformas prediais e parcerias para a montagem da estrutura (mobiliário e equipamentos), o projeto, denominado Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio, foi finalmente inaugurado em outubro de 2016 e começou a funcionar efetivamente em dezembro do mesmo ano, após os profissionais passarem por um processo de capacitação.

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Desde sua inauguração, o Centro funciona como um equipamento público de atendimento conjunto e humanizado, que tem como objetivo aproximar os processos de proteção e responsabilização de forma a evitar a revitimização de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual.

A montagem do Centro foi garantida por meio de captação de recursos e parcerias. O Instituto Sabin financiou a instalação da brinquedoteca e o Conselho Distrital dos Direitos da Criança e do Adolescente a aquisição de mobiliário e de equipamentos. Além disso, o Centro 18 de Maio é o único desta publicação que conta com espaço específico para adolescentes – que é denominado ateliê e contém jogos, livros e um computador para games.

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Ao todo, a iniciativa conta com 17 profissionais, sendo uma coordenadora, quatro psicólogas, dois assistentes sociais, dois assistentes administrativos, dois agentes de polícia, um educador, um funcionário de limpeza e quatro vigilantes. A equipe se divide para atendimentos no período da manhã e da tarde, que duram cerca de 3 horas e 30 minutos, incluindo deslocamentos para o IML e hospital. Com isso, a capacidade diária de atendimento é de seis casos por dia.

Durante esse processo, uma das principais preocupações é a fala das vítimas. Ao acompanhá-las ao hospital ou IML, é um membro da equipe que costuma conversar com outros profissionais, evitando-se que meninas e meninos tenham que repetir a narrativa. De acordo com a psicóloga Renata Tavares, os órgãos não ouvem por curiosidade, mas porque ainda estão em processo de incorporação de uma política que propõe outra abordagem à escuta: “Os órgãos possuem suas próprias políticas e protocolos. A não revitimização passa pela interlocução e o estreitamento de laços entre essas políticas.”

Quer conhecer melhor essa e outras iniciativas? Acesse.

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15
mar
2018

Dia da Escola: qual é o papel da educação na segurança on-line de crianças e adolescentes?

escola

Os educadores têm um papel estratégico na proteção e orientação de crianças e adolescentes. Aproveitando o espaço da escola para discussão de temas importantes, como sexualidade, gênero e segurança no ambiente on-line.

Um estudo sobre o comportamento de crianças e adolescentes no ambiente on-line, realizado recentemente pelo Google, aponta que 35% dos educadores já tiveram conhecimento sobre algum incidente relacionado à segurança on-line nas escolas; 98% deles concordam que o tema da segurança on-line deveria fazer parte da grade curricular dos colégios, contudo, embora reconheçam a importância da escola nesse papel, 83% desses profissionais afirmaram que não sentem que possuem os recursos necessários para ensinar o tema a seus alunos. Confira:

Além de entender o tema, compreender qual o papel do educador é um desafio não só na proteção contra a violência sexual, mas também no estímulo ao uso seguro e ético da internet para que ele traga influências positivas ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Nunca é demais lembrar que, nos últimos anos, cresceu assustadoramente os casos de sexting (divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de celulares) entre pares. A tecnologia cria oportunidades de mudança cultural, ao mesmo tempo que reforça também padrões já estabelecidos de masculinidade e feminilidade não igualitários em termos de gênero e não respeitosos à dignidade sexual e ao desenvolvimento saudável da sexualidade.

Nesse sentido, a escola pode estabelecer espaços de discussão sobre a proteção da criança ou do adolescente e garantir um cuidado efetivo; participar de campanhas de mobilização sobre a segurança no ambiente digital: quanto mais engajados, atentos e bem informados os alunos, mais estarão protegidos.

A escola pode:

- Capacitar os professores e o corpo técnico com programas de formação para serem capazes de identificar crianças e adolescentes em situação de risco e orientá-los de forma adequada para a prevenção da violência.

- Disponibilizar um espaço de disseminação da informação, auxiliando a mudança de percepções negativas e errôneas sobre o tema, por meio de palestras, encontros de discussão e esclarecimento, com pais, alunos, professores.

- Usar as informações disponíveis na mídia, textos, dados estatísticos e outros, para incentivar as discussões em sala de aula com os alunos, desmistificando o tema e abrindo a possibilidade do diálogo.

- Trabalhar a sexualidade como parte integrante do desenvolvimento integral do aluno, o que exige o enfrentamento do tabu e do preconceito.

- Oferecer aulas de orientação sexual como tema constante no ensino escolar, como sugerem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do MEC. Isso pode contribuir para a prevenção da exploração sexual de crianças ou adolescentes, pois melhora a autoestima, conscientiza e aumenta a percepção de si mesmo e de seus direitos.

- Denunciar em caso de qualquer suspeita de violação de direitos contra crianças e adolescentes.

Para saber mais, acesse a nossa cartilha Navegar com Segurança.

Acesse também o Curso de Cidadania Digital e Segurança, voltado para educadores, disponibilizado gratuitamente pelo Google.

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12
mar
2018

Boas práticas: conheça o Centro Integrado dos Direitos da Criança e do Adolescente, de Vitória da Conquista

Com o objetivo de disseminar iniciativas que reforcem a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, incluindo a sexual, a Childhood Brasil lançou a publicação Centros de Atendimento Integrado a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violências: Boas Práticas e Recomendações para uma Política Pública de Estado. O livro apresenta seis exemplos bem-sucedidos de Centros de Atendimento Integrado no Brasil e dois fora dele, subsidiando municípios para que eles possam repensar seus sistemas de atendimento de acordo com a Lei 13.431/2017, que entra em vigor no país em abril de 2018.

Dentre os exemplos trazidos pelo material está o Centro Integrado dos Direitos da Criança e do Adolescente, que foi implementado em Vitória da Conquista, na Bahia. Sua criação é profundamente ligada com o Programa Conquista Criança, que é considerado a gênese da experiência em atendimento integrado de crianças e adolescentes na cidade, ao passo que oferta ensino formal e atividades livres, como dança, música, esportes e lutas, para meninas e meninos da região.

Motivada pelos bons resultados do Conquista Criança, a Prefeitura de Vitória da Conquista teve a ideia de criar a Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente, hoje um setor dentro da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. A partir de tal iniciativa, assim, nasceu a demanda por um espaço articulado de atendimento que fosse de fácil acesso e no qual pudessem ser instalados diversos serviços de promoção e proteção de direitos, nascendo, em 2015, o Centro Integrado dos Direitos da Criança e do Adolescente.

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Desde sua criação, o espaço funciona como um equipamento público e atende vítimas de todos os tipos de violência e violação de direitos, não sendo exclusivo de violência sexual, como outros centros relatados na publicação. Doze órgãos ligados ao Executivo e ao sistema de Justiça, mais o Conselho Tutelar, compõem o Centro.

Como fica localizado em uma antiga escola estadual, sua estrutura é grande e composta por vários blocos. Há antessala para todos os serviços e, em alguns deles, locais específicos para atendimentos clínico e psicológico, que contam com brinquedos e mobiliário apropriados.

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Dentro do Centro, cada serviço atua dentro da sua própria lógica, seguindo as atribuições e estruturas de suas políticas. Assim, o número de funcionários, o perfil, a formação e os dados de atendimento são específicos de cada órgão, ainda sem sistematização unificada. Segundo o diretor Michael Farias, “a consolidação dos dados é um dos desafios e tem como meta a elaboração de um Plano de Ação conjunto envolvendo formação, monitoramento, avaliação e administração do Centro como um todo”.

Quer conhecer melhor essa e outras iniciativas? Acesse.

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