A prevenção da violência sexual começa com diálogo, informação e orientação sobre sexualidade. A educação sexual, em seu sentido mais amplo, é um dos pilares que ajudam a proteger crianças e adolescentes. Outro pilar essencial é a notificação e denúncia de casos de violência.
Não é apenas importante informar as crianças; os adultos que as orientam também precisam se preparar, se informar e superar estigmas, tabus e sentimentos de vergonha que historicamente cercam o tema.
A educação sexual deve oferecer autonomia, autopercepção, conhecimento e empoderamento, e não erotizadora, ou seja, não voltada à sexualização precoce. Para isso, é fundamental diferenciar sexualidade de sexualização.
A sexualidade é uma dimensão biológica, psicológica e emocional presente desde o nascimento e que se desenvolve ao longo da vida.
Crianças possuem sexualidade desde cedo; não se trata apenas de prazer genital, mas de uma gama de desejos, curiosidades e experiências que ajudam na construção da identidade e das relações.
Por exemplo, o impulso de se alimentar está ligado em parte à libido — ou seja, a pulsão sexual não se limita ao prazer erótico, mas também está relacionada à satisfação de necessidades e desejos de forma ampla.
À medida que crescem, as crianças começam a demonstrar curiosidade sobre seu corpo e sobre o que é o prazer, o que é perfeitamente normal. Mais adiante, essas pulsões influenciam decisões sobre relacionamentos, família e planejamento de vida.
“A sexualidade é uma expressão de quem você é. Quando uma criança aprende sobre consentimento ou tem experiências positivas sobre seu potencial e autoestima, já está construindo bases para uma sexualidade saudável.”
— Aline de Carvalho Martins, (IFF/Fiocruz)
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Cabe aos adultos responder dúvidas e orientar de forma saudável, ajudando a criança a lidar com impulsos que são naturais e fisiológicos, mas que podem ser mal compreendidos pelo imaginário social.
Já a erotização (ou sexualização) uma forma de adultização e envolve expor a criança ou adolescente a conteúdos sexualizados ou levá-la a adotar comportamentos assim.
*Sexualização é uma imposição externa, diferente da sexualidade infantil, que é algo espontâneo do autoconhecimento corporal e natural do desenvolvimento humano
Crianças e adolescentes que não têm informações sobre quais toques e comportamentos são inapropriados, ou que não conseguem falar com adultos de confiança sobre dúvidas e medos, estão mais vulneráveis à violência.
A educação sexual ajuda a criar gerações de adultos conscientes de limites e capazes de agir com respeito, quebrando ciclos de violência e promovendo cidadania desde cedo.
Ensinar sexualidade também significa ensinar habilidades de vida:
Fonte: Healthcare (Basel), 2024
A educação sexual deve começar antes do início da vida sexual, e evoluir à medida que a criança cresce, proporcionando:
Fonte: Organização Mundial da Saúde