Pioneiros na luta contra o abuso e a exploração sexual DE crianças e adolescentes

Como contribuir para a prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes

POR Childhood Brasil 02/02/2026
Tempo de leitura: 4 mins

A prevenção da violência sexual começa com diálogo, informação e orientação sobre sexualidade. A educação sexual, em seu sentido mais amplo, é um dos pilares que ajudam a proteger crianças e adolescentes. Outro pilar essencial é a notificação e denúncia de casos de violência.

Não é apenas importante informar as crianças; os adultos que as orientam também precisam se preparar, se informar e superar estigmas, tabus e sentimentos de vergonha que historicamente cercam o tema.

A educação sexual deve oferecer autonomia, autopercepção, conhecimento e empoderamento, e não erotizadora, ou seja, não voltada à sexualização precoce. Para isso, é fundamental diferenciar sexualidade de sexualização.

O que é sexualidade?

A sexualidade é uma dimensão biológica, psicológica e emocional presente desde o nascimento e que se desenvolve ao longo da vida.

Crianças possuem sexualidade desde cedo; não se trata apenas de prazer genital, mas de uma gama de desejos, curiosidades e experiências que ajudam na construção da identidade e das relações.

Por exemplo, o impulso de se alimentar está ligado em parte à libido — ou seja, a pulsão sexual não se limita ao prazer erótico, mas também está relacionada à satisfação de necessidades e desejos de forma ampla.

À medida que crescem, as crianças começam a demonstrar curiosidade sobre seu corpo e sobre o que é o prazer, o que é perfeitamente normal. Mais adiante, essas pulsões influenciam decisões sobre relacionamentos, família e planejamento de vida.

“A sexualidade é uma expressão de quem você é. Quando uma criança aprende sobre consentimento ou tem experiências positivas sobre seu potencial e autoestima, já está construindo bases para uma sexualidade saudável.”
— Aline de Carvalho Martins, (IFF/Fiocruz)
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Cabe aos adultos responder dúvidas e orientar de forma saudável, ajudando a criança a lidar com impulsos que são naturais e fisiológicos, mas que podem ser mal compreendidos pelo imaginário social.

Já a erotização (ou sexualização) uma forma de adultização e envolve expor a criança ou adolescente a conteúdos sexualizados ou levá-la a adotar comportamentos assim.

*Sexualização é uma imposição externa, diferente da sexualidade infantil, que é algo espontâneo do autoconhecimento corporal e natural do desenvolvimento humano

Por que a educação sexual protege

Crianças e adolescentes que não têm informações sobre quais toques e comportamentos são inapropriados, ou que não conseguem falar com adultos de confiança sobre dúvidas e medos, estão mais vulneráveis à violência.

A educação sexual ajuda a criar gerações de adultos conscientes de limites e capazes de agir com respeito, quebrando ciclos de violência e promovendo cidadania desde cedo.

Ensinar sexualidade também significa ensinar habilidades de vida:

  • Relações familiares e sociais;
  • Reconhecimento e respeito a limites;
  • Valores e autocuidado;
  • Comunicação e empatia;
  • Direitos e proteção contra abusos.

Onde crianças e adolescentes buscam informações

  • Pais e familiares: especialmente meninas com mães e cuidadores próximos;
  • Amigos e colegas: especialmente meninos e crianças LGBTQIAPN+;
  • Professores e escola: aulas de educação sexual;
  • Mídia e internet: filmes, redes sociais, sites e videogames;
  • Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos e centros de saúde.

Fonte: Healthcare (Basel), 2024

Principais temas de interesse:

  • Relacionamentos e emoções: atração, amor, rejeição, consentimento, comunicação e negociação em relacionamentos;
  • Saúde sexual: menstruação, contracepção, gravidez, ISTs, anatomia e serviços de saúde;
  • Atividade sexual: prevenção de coerção, desejos, consentimento, mudança corporal, disforia de gênero, identidade sexual;
  • Internet e pornografia: impacto da pornografia, avaliação crítica de informações online.

Educação sexual por faixa etária

A educação sexual deve começar antes do início da vida sexual, e evoluir à medida que a criança cresce, proporcionando:

  • Autonomia e consciência para escolher como e quando se relacionar;
  • Informações para prevenir doenças, planejar a reprodução com responsabilidade e manter relações respeitosas;
  • Aprendizado contínuo, envolvendo tópicos como:
    • Anatomia e biologia;
    • Cuidados com a saúde;
    • Reconhecimento de emoções;
    • Respeito, empatia e normas sociais;
    • Amizade, namoro, família e casamento;
    • Procriação e criação de filhos.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

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