| Alerta de gatilho: as situações descritas a seguir podem ser desconfortáveis para vítimas de violência sexual |
A violência sexual contra crianças e adolescentes não acontece de uma única forma, nem segue um padrão único. Ela pode ocorrer em diferentes contextos — familiares, institucionais, comunitários ou digitais — e, na maioria das vezes, não começa com força física ou ameaça explícita.
Em geral, o agressor se aproveita de desigualdades de poder, da confiança e da vulnerabilidade da criança ou do adolescente para se aproximar, manipular e silenciar. Por isso, compreender como a violência acontece na prática é fundamental para reconhecê-la, preveni-la e interrompê-la.
Independentemente do contexto, a violência sexual costuma envolver algumas estratégias recorrentes:
Em situações menos frequentes, mas possíveis, a violência pode ocorrer de forma direta, agressiva e coercitiva desde o início.
A violência pode ocorrer dentro de casa, praticada por pais, padrastos, irmãos mais velhos, outros familiares ou cuidadores. O agressor se aproveita da autoridade, da confiança e da dependência da criança para criar situações em que fica a sós com a vítima, muitas vezes sob pretextos cotidianos, como cuidados, brincadeiras ou demonstrações de afeto.
Com o tempo, os comportamentos podem se intensificar, enquanto o agressor reforça o silêncio por meio de ameaças emocionais, como a desestruturação da família ou punições à criança. Por estar em um ambiente que deveria ser de proteção, a vítima pode levar anos para compreender que viveu uma situação de violência.
Em espaços públicos, o agressor pode se aproximar da criança ou do adolescente utilizando pretextos aparentemente banais, como oferecer ajuda, iniciar uma conversa, dar presentes ou pedir informações. A abordagem costuma ocorrer quando a vítima está sozinha, distraída ou distante de pessoas responsáveis.
A tentativa de parecer inofensivo e confiável é uma estratégia comum. Interações inadequadas entre adultos e crianças em espaços públicos, sem motivo claro, devem sempre ser motivo de atenção.
A violência sexual também pode ocorrer entre crianças ou adolescentes quando há desigualdade de poder, seja por diferença significativa de idade, maturidade, força física, status ou compreensão da situação.
Em contextos familiares ou de convivência frequente, como entre primos ou irmãos, o agressor pode propor “brincadeiras”, desafios ou jogos secretos, explorar a confiança da vítima ou expô-la a conteúdos inadequados. O silêncio e o medo costumam estar presentes, especialmente quando existe vínculo afetivo entre os envolvidos.
No ambiente digital, o agressor frequentemente se apresenta como alguém da mesma idade da vítima, utilizando perfis falsos. Ele explora fragilidades emocionais, como solidão, baixa autoestima ou conflitos familiares, para criar vínculos intensos e dependência afetiva.
Com o tempo, solicita imagens, vídeos ou interações íntimas, normalizando comportamentos abusivos. O material obtido pode ser usado para chantagem, forçando a continuidade da violência ou encontros presenciais.
Crianças e adolescentes em situação de rua, trabalho infantil ou extrema vulnerabilidade econômica estão mais expostos à violência sexual. O agressor se aproveita da ausência de adultos protetores e oferece comida, dinheiro ou outros benefícios em troca de favores, configurando exploração sexual.
A violência sexual também pode ocorrer em ambientes institucionais, como escolas, serviços de saúde, entidades de acolhimento ou espaços religiosos. O agressor utiliza sua posição de autoridade para criar situações de proximidade, favorecer a vítima de forma indevida ou ameaçá-la com punições acadêmicas, disciplinares ou sociais.
As consequências da violência sexual variam de acordo com diversos fatores, como:
Crianças e adolescentes podem apresentar mudanças comportamentais, emocionais ou físicas logo após a violência. Esses sinais variam de pessoa para pessoa e devem sempre ser levados a sério.
Entre os possíveis impactos estão:
Essas consequências não são automáticas nem universais. O acesso à escuta qualificada, ao acolhimento e à proteção pode reduzir significativamente os impactos da violência e favorecer a recuperação da criança ou do adolescente.
Saiba mais: guia-referencia-construindo-cultura-prevencao-violencia-sexual-2020.pdf