{"id":8449,"date":"2026-06-02T17:45:03","date_gmt":"2026-06-02T20:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.childhood.org.br\/?p=8449"},"modified":"2026-06-02T17:56:50","modified_gmt":"2026-06-02T20:56:50","slug":"mudancas-climaticas-e-suas-consequencias-emocionais-em-criancas-e-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.childhood.org.br\/mudancas-climaticas-e-suas-consequencias-emocionais-em-criancas-e-adolescentes\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e suas consequ\u00eancias emocionais em crian\u00e7as e adolescentes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>O que sentem as gera\u00e7\u00f5es que nascem e s\u00e3o criadas em meio ao colapso ambiental?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que significa nascer e crescer num mundo em <strong>crise clim\u00e1tica<\/strong>? No Brasil, de quais cenas diferentes estamos falando?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psic\u00f3loga, pesquisadora e jornalista <strong>Amanda Garcia Dantas<\/strong> tangeia essas quest\u00f5es em seu projeto na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ): \u201cAnsiedade clim\u00e1tica, g\u00eanero e vulnerabilidade socioambiental na <strong>primeira inf\u00e2ncia<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista \u00e0 <strong>Childhood Brasil<\/strong>, a doutoranda nos guia pelos olhares de quem est\u00e1 se desenvolvendo em um mundo em colapso(s).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que sentem as crian\u00e7as diante da crise clim\u00e1tica \u2013 e de quais crian\u00e7as estamos falando, principalmente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil: <\/strong><strong>Eu sou uma crian\u00e7a que nasceu em uma \u00e1rea com emerg\u00eancias clim\u00e1ticas no Brasil: que contextos podem ser esses? Pode nos dar alguns exemplos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda Garcia Dantas:<\/strong> No Brasil, as crian\u00e7as nascem em territ\u00f3rios muito distintos do ponto de vista clim\u00e1tico. Uma crian\u00e7a na Amaz\u00f4nia convive com secas que fecham rios, isolam comunidades e destroem a pesca, que \u00e9 a base da alimenta\u00e7\u00e3o e da cultura local. Uma crian\u00e7a na Baixada Fluminense ou em Petr\u00f3polis, no estado do Rio de Janeiro, cresce sabendo que, quando o ver\u00e3o chega, pode ter calor intenso e chove muito, a rua vira rio, a escola fecha e pessoas morrem. Uma crian\u00e7a no Nordeste pode ter crescido vendo a\u00e7udes secos e animais mortos. Uma crian\u00e7a ind\u00edgena v\u00ea o territ\u00f3rio ancestral que define sua identidade sendo destru\u00eddo pelo fogo, pela soja. Esses n\u00e3o s\u00e3o eventos excepcionais para essas crian\u00e7as. S\u00e3o a textura do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>De que maneira eu entro em contato com essa realidade? Como ela \u00e9 apresentada para mim, como fico sabendo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> De algumas formas simult\u00e2neas. Pela experi\u00eancia direta, quando a pr\u00f3pria casa alaga, quando a escola fecha, quando a fam\u00edlia perde tudo. Pela observa\u00e7\u00e3o dos adultos ao redor, o medo no rosto da m\u00e3e quando o c\u00e9u fecha, a tens\u00e3o que antecede a chuva. Pela m\u00eddia e pelas redes sociais, especialmente entre os mais velhos. E pelo corpo, porque o calor extremo, a fuma\u00e7a, a \u00e1gua contaminada s\u00e3o experi\u00eancias f\u00edsicas antes de serem conceitos. A crian\u00e7a, por meio dos seus sentidos, experiencia os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O processo \u00e9 emocional e n\u00e3o racional, embora afete tamb\u00e9m a forma de pensar. Lembrando que a capacidade l\u00f3gica e racional surge ap\u00f3s os seis, sete anos de idade, mas, antes disso, a crian\u00e7a j\u00e1 processa as experi\u00eancias via sentidos, percep\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o. E essas experi\u00eancias criam um banco de dados na mem\u00f3ria emocional e guiam o processo de racioc\u00ednio e de comportamento ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>De que maneira isso atravessa o meu emocional? A percep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, a capacidade de imaginar o futuro, a rela\u00e7\u00e3o com esperan\u00e7a e perman\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> A percep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a \u00e9 a primeira a ser afetada. A crian\u00e7a que viveu um desastre aprende que o mundo pode desmoronar de repente, literalmente. Isso compromete o que a teoria do apego chama de base segura, a sensa\u00e7\u00e3o de que o ambiente \u00e9 previs\u00edvel e protetor. Quando essa base \u00e9 abalada, a crian\u00e7a pode desenvolver hipervigil\u00e2ncia, dificuldade de dormir, medo de chuva, pesadelos. A capacidade de imaginar o futuro pode ficar enviesada pelas emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o ajudam, relacionadas \u00e0s viv\u00eancias traum\u00e1ticas. Crian\u00e7as expostas a desastres frequentemente t\u00eam dificuldade de projetar planos futuros, dependendo da idade, \u00e9 claro. A esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um dado natural do desenvolvimento. Ela precisa ser sustentada por adultos e por contextos que sinalizem que o amanh\u00e3 existir\u00e1 e vale a pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>Isso impacta a minha motiva\u00e7\u00e3o de construir conforto material? Pode impactar minha jornada laboral, profissional ao longo da vida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> Sim. Crian\u00e7as que crescem em contextos de vulnerabilidade cr\u00f4nica aprendem, pela experi\u00eancia repetida, que o futuro \u00e9 imprevis\u00edvel. Essa aprendizagem pode se traduzir no que a literatura chama de orienta\u00e7\u00e3o temporal para o presente, uma dificuldade de investir no longo prazo quando o curto prazo exige toda a energia dispon\u00edvel. Na pr\u00e1tica, isso pode aparecer como menor engajamento na escolariza\u00e7\u00e3o, escolhas profissionais mais imediatas e uma cren\u00e7a reduzida de que o esfor\u00e7o de hoje ser\u00e1 recompensado amanh\u00e3. N\u00e3o se trata de falta de ambi\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma resposta adaptativa e emocional e racional a um ambiente que ofereceu poucas evid\u00eancias de que o futuro vale o investimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>Pode impactar minha autoestima e minha sa\u00fade emocional e relacional?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> Sim, de forma profunda. A crian\u00e7a que perde a casa altera o curso de seu processo de forma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, porque o lar \u00e9 um dos primeiros contextos em que a crian\u00e7a aprende quem ela \u00e9, onde ela pertence e o que pode esperar do mundo. A crian\u00e7a deslocada por um desastre precisa reconstruir seu microssistema (v\u00ednculos, rotinas e sentido de pertencimento em um novo contexto), muitas vezes sem suporte adequado. A sa\u00fade relacional tamb\u00e9m \u00e9 afetada porque os pr\u00f3prios cuidadores est\u00e3o traumatizados, e cuidadores traumatizados t\u00eam menor capacidade de oferecer a estabilidade emocional de que a crian\u00e7a precisa para se desenvolver. O trauma clim\u00e1tico \u00e9, com frequ\u00eancia, um trauma que atravessa toda a fam\u00edlia, e n\u00e3o apenas o indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Childhood Brasil<\/strong>: Os mais jovens est\u00e3o com uma sensa\u00e7\u00e3o de responsabilidade excessiva sobre \u201csalvar o planeta\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> Sim, especialmente os adolescentes. Um estudo conduzido por Hickman e colaboradores, publicado em 2021 na revista The Lancet Planetary Health sob o t\u00edtulo <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S2542-5196(21)00278-3\"><em>Climate anxiety in children and young people and their beliefs about government responses to climate change: a global survey<\/em><\/a>, ouviu mais de dez mil jovens entre 16 e 25 anos em dez pa\u00edses, incluindo o Brasil. Os resultados mostraram que a maioria sentia medo, tristeza e impot\u00eancia diante da crise clim\u00e1tica, e que muitos tinham a percep\u00e7\u00e3o de que os adultos e os governos estavam falhando em agir com a urg\u00eancia necess\u00e1ria. Esse sentimento de trai\u00e7\u00e3o geracional, combinado com a sensa\u00e7\u00e3o de que a responsabilidade pelo futuro do planeta recai sobre os mais jovens, \u00e9 uma forma de sofrimento moral que pode ser paralisante e que a pesquisa associou a preju\u00edzos no funcionamento cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para crian\u00e7as pequenas, o mecanismo \u00e9 diferente. Elas ainda n\u00e3o t\u00eam o repert\u00f3rio cognitivo para abstrair a crise global, porque est\u00e3o mais no presente, mas sentem seus efeitos locais com intensidade, no corpo, na rotina, nas emo\u00e7\u00f5es dos adultos ao redor. O peso existencial de salvar o planeta \u00e9 mais caracter\u00edstico da adolesc\u00eancia, mas o sofrimento concreto diante dos efeitos clim\u00e1ticos come\u00e7a muito antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>No Brasil, contextos de inseguran\u00e7a clim\u00e1tica impedem que crian\u00e7as acessem todos os seus direitos. O mesmo costuma ser verdade para crian\u00e7as que precisaram deslocar-se com suas fam\u00edlias devido a eventos extremos. De que maneira essa crian\u00e7a est\u00e1 mais vulner\u00e1vel na sociedade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> O deslocamento por desastre clim\u00e1tico \u00e9 uma das formas mais agudas de vulnerabilidade na inf\u00e2ncia. A crian\u00e7a perde seu mundo, seu territ\u00f3rio, que \u00e9 o seu contexto de desenvolvimento. Perde a escola, os amigos, a rotina, que s\u00e3o as estruturas que organizam a vida infantil. Perde o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia social, que muitas vezes j\u00e1 eram prec\u00e1rios antes do desastre. No Brasil, o Marco Legal da Primeira Inf\u00e2ncia reconhece a prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a, mas a implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 dramaticamente desigual, e as crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de desastre s\u00e3o justamente as que menos acessam essa prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>As perguntas acima falam em \u201cuma crian\u00e7a\u201d, mas sabemos que h\u00e1 v\u00e1rias inf\u00e2ncias e adolesc\u00eancias no Brasil (e no mundo). De quais estamos falando ao pensar nas maiores vulnerabilidades, e aus\u00eancias de estrutura, recursos e apoio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> Estamos falando principalmente de crian\u00e7as negras, ind\u00edgenas, quilombolas e moradoras de periferias urbanas, principalmente do g\u00eanero feminino. S\u00e3o as que vivem nos territ\u00f3rios mais expostos aos riscos clim\u00e1ticos e as que t\u00eam menos recursos para se proteger e se recuperar. A crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica. Ela aprofunda desigualdades que j\u00e1 existiam. Uma crian\u00e7a branca de classe m\u00e9dia que v\u00ea not\u00edcias sobre enchentes na televis\u00e3o e uma crian\u00e7a negra da periferia que perdeu a casa na enchente, ou um parente, amigos, est\u00e3o vivendo experi\u00eancias radicalmente distintas diante da mesma crise. A perspectiva interseccional, que considera g\u00eanero, ra\u00e7a, classe e territ\u00f3rio de forma articulada, \u00e9 indispens\u00e1vel para n\u00e3o tratar a inf\u00e2ncia como um bloco homog\u00eaneo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>Qual a forma correta de conversar e incluir crian\u00e7as e adolescentes nessa realidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> Precisamos dar voz \u00e0s viv\u00eancias e sentimentos das crian\u00e7as. Inclusive, est\u00e1 previsto em lei, por meio do <a href=\"https:\/\/www.childhood.org.br\/conheca-o-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-eca\/\">ECA (Estatuto da Crian\u00e7a e Adolescente)<\/a>. Precisamos dar escuta ativa e abrir di\u00e1logos honestos sobre o assunto, sem catastrofizar. Crian\u00e7as suportam a verdade muito melhor do que o sil\u00eancio ansioso dos adultos. O que as adoece n\u00e3o \u00e9 saber que h\u00e1 problemas, mas perceber que os adultos est\u00e3o assustados e n\u00e3o falam [a respeito]. A partir do que a crian\u00e7a j\u00e1 sabe e sente, [\u00e9 preciso] n\u00e3o impor um enquadramento adulto \u2013 validar as emo\u00e7\u00f5es sem amplific\u00e1-las; oferecer a\u00e7\u00f5es concretas e proporcionais \u00e0 faixa et\u00e1ria \u2013 porque a ag\u00eancia, a sensa\u00e7\u00e3o de poder fazer algo, \u00e9 protetora; e garantir que a crian\u00e7a saiba que h\u00e1 adultos respons\u00e1veis pelo problema, ou seja, que a responsabilidade n\u00e3o \u00e9 dela. Para crian\u00e7as que viveram desastres, a conversa, idealmente, deve ser mediada por profissionais de sa\u00fade mental, pois pode ativar rea\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Childhood Brasil<\/strong>: <strong>Nos conte sobre sua pesquisa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amanda:<\/strong> Estou desenvolvendo, no projeto do doutorado, uma pesquisa que parte de uma pergunta que me parece urgente e ainda sem resposta no Brasil: o que sentem as crian\u00e7as diante da crise clim\u00e1tica? E mais do que isso, como elas expressam esse sentimento quando ainda n\u00e3o t\u00eam palavras para nome\u00e1-lo? A tese, que desenvolvo no doutorado em Psicologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), investiga crian\u00e7as de zero a seis anos em dois territ\u00f3rios do Rio de Janeiro que vivem a crise clim\u00e1tica de formas muito concretas. Serop\u00e9dica, na Baixada Fluminense, marcada por enchentes recorrentes e calor extremo, e Petr\u00f3polis, cidade que em fevereiro de 2022 perdeu 241 pessoas em um \u00fanico evento clim\u00e1tico. S\u00e3o crian\u00e7as que n\u00e3o precisam ler sobre aquecimento global para conhec\u00ea-lo. Elas o conhecem pelo corpo, pela mem\u00f3ria e pelo medo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa vai al\u00e9m do diagn\u00f3stico. Ao final, pretendemos produzir um protocolo de interven\u00e7\u00e3o socioemocional para que psic\u00f3logos e educadores saibam como identificar e manejar a ansiedade clim\u00e1tica nessa faixa et\u00e1ria, e um document\u00e1rio cient\u00edfico que devolve \u00e0s pr\u00f3prias comunidades os achados produzidos a partir de suas hist\u00f3rias. A produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira sobre ecoansiedade na primeira inf\u00e2ncia \u00e9 ainda incipiente, e essa aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 casual. As crian\u00e7as mais afetadas pela crise clim\u00e1tica no Brasil seguem sendo as menos estudadas, as menos ouvidas e as menos protegidas. Essa lacuna n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cient\u00edfica. \u00c9 pol\u00edtica. Para que as promessas feitas na <a href=\"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/cop-30-cnmp-e-childhood-brasil-apresentam-projeto-de-enfrentamento-da-violencia-sexual-na-ilha-do-marajo\/\">COP30 em Bel\u00e9m<\/a> se transformem em prote\u00e7\u00e3o real, a psicologia brasileira precisa produzir as evid\u00eancias de que as pol\u00edticas p\u00fablicas precisam para agir. \u00c9 exatamente isso que esta pesquisa se prop\u00f5e a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que sentem as gera\u00e7\u00f5es que nascem e s\u00e3o criadas em meio ao colapso ambiental? O que significa nascer e crescer num mundo em crise clim\u00e1tica? No Brasil, de quais cenas diferentes estamos falando? 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