{"id":2760,"date":"2010-12-15T16:11:22","date_gmt":"2010-12-15T18:11:22","guid":{"rendered":"https:\/\/childhoodbrasil.c7net.com.br\/?p=2760"},"modified":"2026-01-26T11:08:47","modified_gmt":"2026-01-26T14:08:47","slug":"violencia-sexual-infantojuvenil-ainda-e-desafio-para-medicos","status":"publish","type":"acoes-e-iniciativas","link":"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/violencia-sexual-infantojuvenil-ainda-e-desafio-para-medicos\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia sexual infantojuvenil ainda \u00e9 desafio para m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Atendimento na Fiocruz<\/strong><\/p>\n<p>Contar com uma equipe multidisciplinar capacitada para o atendimento de v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual ainda \u00e9 um privil\u00e9gio, segundo a Dra. Ana Cristina Paix\u00e3o, m\u00e9dica respons\u00e1vel pelo atendimento ginecol\u00f3gico da unidade materno-infantil do Instituto Fernandes Figueira (IFF), da Fiocruz, na cidade do Rio de Janeiro. Desde 1994, atendeu 71 casos de abuso sexual infantojuvenil com o apoio de uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais de pediatria, psicologia, psiquiatria, enfermagem e servi\u00e7o social.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica frisa que ainda falta muita informa\u00e7\u00e3o entre os profissionais de sa\u00fade para lidar com estes casos. Em sua tese de mestrado, Ana Cristina estudou as dificuldades encontradas no relacionamento entre m\u00e9dico e paciente, ao se tratar de casos de abuso sexual, ouvindo profissionais da \u00e1rea. Ela comparou o atendimento entre um centro de refer\u00eancia multidisciplinar e uma unidade b\u00e1sica que, por falta de treinamento e equipe especializada, ainda apresenta muitas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as principais dificuldades encontradas pelos agentes de sa\u00fade quando se deparam com uma suspeita de viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes?<\/strong><br \/>\nMuitos recebem um impacto violento, ficam chocados porque o crime vai contra os princ\u00edpios morais deles e n\u00e3o sabem como reagir. A divulga\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os especializados de atendimento ainda \u00e9 prec\u00e1ria e a maioria dos profissionais n\u00e3o tem informa\u00e7\u00e3o para onde devem encaminhar a crian\u00e7a. Ficam com medo de encaminhar a v\u00edtima para o local errado e da mesma n\u00e3o ser atendida adequadamente. Alguns se calam a primeira vez, mas come\u00e7am a se sentir incomodados e acabam tomando a iniciativa de pedir ajuda para colegas.<\/p>\n<p><strong>De que forma os profissionais devem atender \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de abuso sexual?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o podem emitir julgamento, nem tomar partido, mesmo ouvindo hist\u00f3rias terr\u00edveis. Devem ser bastante perceptivos a pequenos movimentos, frases e atitudes da crian\u00e7a\/adolescente para estabelecer o diagn\u00f3stico. Os casos em que n\u00e3o h\u00e1 estupro s\u00e3o muito comuns e tamb\u00e9m precisam ser comunicados. \u00c9 preciso saber como lidar com a crian\u00e7a transmitindo seguran\u00e7a e falando de acordo com a idade para conseguir sua confian\u00e7a. A entrevista deve ser feita separada do pai e da m\u00e3e, pois, se o abuso ocorreu dentro de casa, a crian\u00e7a pode ter sido amea\u00e7ada ou manipulada para que n\u00e3o conte nada.<\/p>\n<p><strong>Para onde os m\u00e9dicos devem encaminhar estes casos?<\/strong><br \/>\nAlguns encaminham erroneamente para o Instituto M\u00e9dico Legal (IML), que anteriormente era a primeira refer\u00eancia para se fazer uma per\u00edcia. Mas \u00e9 um lugar muito agressivo para uma crian\u00e7a, que acaba sendo \u201crevitimizada\u201d, por passar novamente por situa\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis, como tirar a roupa para ser examinada. Hoje, segundo a Justi\u00e7a, o profissional de sa\u00fade deve realizar o atendimento, fazer um relat\u00f3rio do caso e depois comunicar ao Conselho Tutelar.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 o atendimento hoje na recupera\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e tamb\u00e9m dos agressores no Rio de Janeiro?<\/strong><br \/>\nO Rio de Janeiro tem o marco hist\u00f3rico de ser o Estado pioneiro em realizar fichas de notifica\u00e7\u00e3o, criadas em 1996 e depois adotadas como modelo pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em todo o pa\u00eds. No entanto, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e agressores ainda est\u00e1 paup\u00e9rrimo.<\/p>\n<p>E n\u00e3o adianta tratar apenas da v\u00edtima, porque um caso de abuso sexual repercute como uma bomba, mexe com toda a estrutura familiar, causando um desequil\u00edbrio enorme. Acho muito importante que os familiares tamb\u00e9m sejam atendidos.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos agressores, hoje existem, no m\u00e1ximo, uns dois ou tr\u00eas servi\u00e7os deste tipo no Rio, que s\u00e3o muito importantes para que o ato n\u00e3o volte a se repetir. Ainda \u00e9 muito dif\u00edcil implementar pol\u00edticas no combate \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"class_list":["post-2760","acoes-e-iniciativas","type-acoes-e-iniciativas","status-publish","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.14 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Viol\u00eancia sexual infantojuvenil ainda \u00e9 desafio para m\u00e9dicos - Childhood Brasil<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/violencia-sexual-infantojuvenil-ainda-e-desafio-para-medicos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Viol\u00eancia sexual infantojuvenil ainda \u00e9 desafio para m\u00e9dicos - Childhood Brasil\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Atendimento na Fiocruz Contar com uma equipe multidisciplinar capacitada para o atendimento de v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual ainda \u00e9 um privil\u00e9gio, segundo a Dra. 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