{"id":2484,"date":"2011-09-14T18:52:10","date_gmt":"2011-09-14T21:52:10","guid":{"rendered":"https:\/\/childhoodbrasil.c7net.com.br\/?p=2484"},"modified":"2026-01-26T11:08:44","modified_gmt":"2026-01-26T14:08:44","slug":"pensei-em-suicidio-e-em-matar-o-abusador","status":"publish","type":"acoes-e-iniciativas","link":"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/pensei-em-suicidio-e-em-matar-o-abusador\/","title":{"rendered":"\u201cPensei em suic\u00eddio e em matar o abusador\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_4080\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><p id=\"caption-attachment-4080\" class=\"wp-caption-text\">Fonte da Imagem: SXC<\/p><\/div>\n<p>\u201cTive uma esp\u00e9cie de apag\u00e3o de mem\u00f3ria para conseguir sobreviver na inf\u00e2ncia apesar dos abusos que sofri, mais ou menos dos quatro aos 11 anos de idade. Sabia que de alguma forma o que meu padrasto fazia comigo era errado, porque era tudo escondido, mas quando a gente \u00e9 crian\u00e7a n\u00e3o entende\u201d, afirma Samara Christina (nome fict\u00edcio), 34 anos.<\/p>\n<p>Samara conta que n\u00e3o tinha muita consci\u00eancia e procurava apenas reprimir o que tinha lhe acontecido, at\u00e9 ver quando adulta uma ampla campanha francesa contra o abuso sexual infantil. \u201cQuando se est\u00e1 no olho do furac\u00e3o, a gente n\u00e3o consegue pensar em nada, s\u00f3 arranjar for\u00e7as para continuar a sobreviver\u201d, diz.Ela relata ter tido muitos pesadelos e ter criado um mundo imagin\u00e1rio na inf\u00e2ncia. \u201cToda vez que eu acordava, parecia que estava sendo sufocada e tinha de ir at\u00e9 a janela. Eu sonhava muitas vezes que sofria uma queda sem fim\u201d, afirma. \u201cCriei um mecanismo para fugir de pensar nos abusos, imaginando um mundinho que tinha um c\u00e9u cor de rosa cheio de bombons e lacinhos, e eu fugia para l\u00e1 para conseguir dormir. Eu tamb\u00e9m brincava muito de me esconder dentro de um arm\u00e1rio, porque l\u00e1 eu me sentia protegida\u201d.<\/p>\n<p>Samara diz que o padrasto s\u00f3 parou os ataques quando ela entrou na puberdade e come\u00e7ou a ter mais for\u00e7a para enfrent\u00e1-lo, mas n\u00e3o tinha coragem de falar para a m\u00e3e. \u201cEu tentava fazer de conta que n\u00e3o tinha existido, porque os sentimentos da v\u00edtima s\u00e3o confusos e a gente chega a se sentir culpada\u201d.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o sabia como contar para a fam\u00edlia, passava mal, tinha n\u00e1useas, vomitava toda vez que estava na casa do pai biol\u00f3gico e tentava falar para ele. \u201cQuando ele soube, reagiu de forma violenta, ficou com muita raiva do meu padrasto e questionou a m\u00e3e tamb\u00e9m.\u201d \u201c\u00c9 muito complicado, porque voc\u00ea sabe que est\u00e1 colocando em risco as pessoas envolvidas e eu n\u00e3o queria que ningu\u00e9m sofresse, porque j\u00e1 bastava eu mesma\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO abuso \u00e9 realmente como uma morte para a crian\u00e7a, porque o agressor est\u00e1 tirando toda sua inf\u00e2ncia\u201d, afirma Samara. \u201cO abuso sexual destr\u00f3i toda a fam\u00edlia. Quando a gente conta para a fam\u00edlia \u00e9 como se ocorresse uma morte. Minha m\u00e3e ficou transtornada, como se tudo que vivemos de bom desmoronasse. \u00c9 muito dif\u00edcil se recompor, at\u00e9 hoje a gente sofre muito, porque a base, o alicerce cai completamente. Minha m\u00e3e n\u00e3o consegue mais se relacionar com um homem at\u00e9 hoje, mesmo depois de anos separada\u201d.<\/p>\n<p>Samara frisa que s\u00f3 conseguiu reconhecer o que tinha lhe acontecido aos 20 anos, porque buscou ajuda m\u00e9dica antes de conseguir contar tudo para a m\u00e3e. \u201cEu sentia desespero, cheguei at\u00e9 a pensar em suic\u00eddio e tamb\u00e9m em mandar mat\u00e1-lo. Eu achava que tinha que me vingar e vingar minha fam\u00edlia. Gra\u00e7as a Deus eu fui criada com valores e princ\u00edpios morais que me impediram de fazer isso em um momento de crise\u201d, relata.<\/p>\n<p>\u201cMeu agressor at\u00e9 hoje nega tudo e ainda diz que eu sou maluca. Hoje eu sei onde ele mora e s\u00f3 rezo para que ele receba de alguma forma ajuda e seja tratado para n\u00e3o fazer outras v\u00edtimas\u201d, diz. \u201cEu n\u00e3o acho que s\u00f3 colocar o agressor na cadeia vai resolver, porque quando sair pode fazer outras v\u00edtimas. Ele precisa ter tamb\u00e9m um tratamento espec\u00edfico para este tipo de doen\u00e7a e precisa ser isolado, n\u00e3o pode ter mais contato com crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"class_list":["post-2484","acoes-e-iniciativas","type-acoes-e-iniciativas","status-publish","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.14 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cPensei em suic\u00eddio e em matar o abusador\u201d - Childhood Brasil<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/pensei-em-suicidio-e-em-matar-o-abusador\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cPensei em suic\u00eddio e em matar o abusador\u201d - Childhood Brasil\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u201cTive uma esp\u00e9cie de apag\u00e3o de mem\u00f3ria para conseguir sobreviver na inf\u00e2ncia apesar dos abusos que sofri, mais ou menos dos quatro aos 11 anos de idade. 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