{"id":2482,"date":"2011-09-12T18:51:42","date_gmt":"2011-09-12T21:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/childhoodbrasil.c7net.com.br\/?p=2482"},"modified":"2026-01-26T11:08:44","modified_gmt":"2026-01-26T14:08:44","slug":"vitima-de-abuso-sexual-na-infancia-nao-consegue-processar-agressor-depois-de-adulta","status":"publish","type":"acoes-e-iniciativas","link":"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/vitima-de-abuso-sexual-na-infancia-nao-consegue-processar-agressor-depois-de-adulta\/","title":{"rendered":"V\u00edtima de abuso sexual na inf\u00e2ncia n\u00e3o consegue processar agressor depois de adulta"},"content":{"rendered":"<div class=\"texto-noticia\">\n<div id=\"attachment_4058\" style=\"width: 295px\" class=\"wp-caption alignleft\"><p id=\"caption-attachment-4058\" class=\"wp-caption-text\">Fonte da Imagem: SXC<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 15 anos, quando morava na Fran\u00e7a, estimulada por uma campanha contra o abuso e a explora\u00e7\u00e3o sexual infantil, a professora e tradutora, Samara Christina (nome fict\u00edcio), 34 anos, resolveu denunciar que tinha sofrido agress\u00f5es do seu padrasto na inf\u00e2ncia. Descobriu, ent\u00e3o, que n\u00e3o bastava coragem para comunicar o seu drama. No Brasil, local da viol\u00eancia ocorrida, a lei s\u00f3 permitia que a den\u00fancia fosse feita at\u00e9 seis meses ap\u00f3s a maioridade, mas pela legisla\u00e7\u00e3o francesa, era poss\u00edvel entrar com processo contra o agressor at\u00e9 dez anos depois.<\/p>\n<p>Ela procurou a Childhood Brasil, para contar o seu caso e alertar outras fam\u00edlias sobre a dificuldade de condenar os autores de viol\u00eancia sexual infantil. \u201cEu n\u00e3o tenho vergonha de falar sobre o que e aconteceu e defender esta causa nobre, porque quero ajudar outras pessoas, mas n\u00e3o posso me identificar, porque j\u00e1 sofri v\u00e1rias amea\u00e7as e hoje sou uma mulher casada, n\u00e3o posso expor as pessoas que amo desta forma\u201d, diz. \u201cAl\u00e9m disso, n\u00e3o sinto que estou protegida pela Justi\u00e7a\u201d.\u00a0Samara \u00e9 francesa, mas foi criada no Brasil, dos tr\u00eas aos 18 anos de idade, depois morou mais nove anos na Fran\u00e7a, e hoje vive no Rio de Janeiro com o marido. Na \u00e9poca em que decidiu entrar na Justi\u00e7a, tinha 20 anos, e estava cursando a faculdade quando resolveu desabafar com alguns amigos mais pr\u00f3ximos. \u201cMuitos foram contra e chegaram a debochar de mim, diziam que ia gastar minha juventude em algo que n\u00e3o ia dar em nada. Eu cheguei at\u00e9 a escutar que o estupro n\u00e3o era nada, que isso acontecia com muita gente\u201d.<\/p>\n<p>Um procurador brasileiro a desestimulou tamb\u00e9m a entrar com a\u00e7\u00e3o contra o autor do crime, porque ela n\u00e3o teria provas ou testemunhas. V\u00e1rios advogados n\u00e3o quiseram pegar o caso e ainda disseram que ela poderia ser processada por difama\u00e7\u00e3o, se o acusado tivesse dinheiro para pagar bons profissionais.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, recebeu mais apoio e logo seu caso prosseguiu para as inst\u00e2ncias superiores.<br \/>\nEla ressalta como ponto desfavor\u00e1vel do atendimento da Justi\u00e7a francesa o fato de ter que contar e recontar o caso para diferentes profissionais, revivendo muitas vezes trauma sofrido. \u201cTive que relatar muitas vezes a mesma hist\u00f3ria para a pol\u00edcia, inspetor, advogado, psic\u00f3logo, psiquiatra, juiz, \u00e9 um sofrimento muito grande de anos\u201d. \u201cDos meus 18 aos 30 anos, quando a maioria dos jovens estava festejando, eu passei completamente envolvida com este assunto, at\u00e9 conseguir reconstruir minha rela\u00e7\u00e3o afetiva com o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Foram expedidos quatro mandados de pris\u00e3o ao agressor, mas sem nenhuma resposta. \u201cEu passei por laudo psiqui\u00e1trico que provou que eu n\u00e3o estava inventando a hist\u00f3ria. Meu padrasto foi considerado culpado e pediram 25 anos de pris\u00e3o, mas como ele n\u00e3o compareceu ao julgamento e n\u00e3o receberam nenhuma resposta das autoridades brasileiras, ele n\u00e3o foi condenado por falta de elementos\u201d, conta. \u201cMeu advogado da \u00e9poca foi fraco e n\u00e3o fez o m\u00ednimo esfor\u00e7o, exigindo respostas da Pol\u00edcia Federal ou do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Da queixa at\u00e9 o processo que terminou sem a pris\u00e3o do acusado foram seis anos. \u201cCheguei a ouvir de uma ju\u00edza que eu s\u00f3 podia confiar na Justi\u00e7a de Deus. Na \u00e9poca, achei um absurdo, mas hoje compreendo e n\u00e3o me arrependo. As leis precisam ser mudadas, e \u00e9 preciso haver maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o problema\u201d.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Samara, a Justi\u00e7a precisa ser mais \u00e1gil nestes casos e o laudo psiqui\u00e1trico precisa valer como prova, porque dificilmente haver\u00e1 uma testemunha, j\u00e1 que os agressores cometem a viol\u00eancia sexual quando est\u00e1 sozinho com a crian\u00e7a e ela s\u00f3 vai entender muitas vezes o que lhe aconteceu quando vira adulta, porque carrega a culpa e confus\u00e3o de sentimentos.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o de Seguridade Social e Fam\u00edlia da C\u00e2mara dos Deputados aprovou no dia 10 de agosto o projeto de lei 6719\/09, da CPI da Pedofilia, que altera o prazo de prescri\u00e7\u00e3o dos crimes sexuais praticados contra crian\u00e7as e adolescentes. Pelo texto, a prescri\u00e7\u00e3o do crime passa a contar apenas do dia em que a v\u00edtima completar 18 anos, a n\u00e3o ser que j\u00e1 tenha sido proposta penal.<\/p>\n<p>Atualmente, o C\u00f3digo Penal (Decreto-Lei 2.848\/40) determina a contagem da prescri\u00e7\u00e3o a partir do dia do crime. Ap\u00f3s a prescri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel punir o agressor.<\/p>\n<p>A proposta foi batizada de lei Joanna Maranh\u00e3o, em homenagem \u00e0 nadadora brasileira que denunciou ter sido abusada pelo treinador quando crian\u00e7a.<\/p><\/div>\n<div class=\"row dados-publicacao\"><\/div>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"class_list":["post-2482","acoes-e-iniciativas","type-acoes-e-iniciativas","status-publish","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.14 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>V\u00edtima de abuso sexual na inf\u00e2ncia n\u00e3o consegue processar agressor depois de adulta - Childhood Brasil<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/vitima-de-abuso-sexual-na-infancia-nao-consegue-processar-agressor-depois-de-adulta\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"V\u00edtima de abuso sexual na inf\u00e2ncia n\u00e3o consegue processar agressor depois de adulta - Childhood Brasil\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"H\u00e1 15 anos, quando morava na Fran\u00e7a, estimulada por uma campanha contra o abuso e a explora\u00e7\u00e3o sexual infantil, a professora e tradutora, Samara Christina (nome fict\u00edcio), 34 anos, resolveu denunciar que tinha sofrido agress\u00f5es do seu padrasto na inf\u00e2ncia. 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