{"id":1762,"date":"2015-04-16T16:58:21","date_gmt":"2015-04-16T19:58:21","guid":{"rendered":"https:\/\/childhoodbrasil.c7net.com.br\/?p=1762"},"modified":"2026-01-26T11:07:55","modified_gmt":"2026-01-26T14:07:55","slug":"caminhos-do-incesto-quando-o-carinho-se-torna-abuso","status":"publish","type":"acoes-e-iniciativas","link":"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/caminhos-do-incesto-quando-o-carinho-se-torna-abuso\/","title":{"rendered":"Caminhos do incesto: quando o carinho se torna abuso"},"content":{"rendered":"<p>Casinha utilizada nas sess\u00f5es de terapia familiar realizadas pelo Cearas-USP<\/p>\n<p>A sociedade, durante muito tempo, negou a ocorr\u00eancia do abuso sexual intrafamiliar, considerando-o um fen\u00f4meno raro e pontual. Vigorava o segredo, e pouqu\u00edssimos casos chegavam a p\u00fablico.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 uma abertura maior para as den\u00fancias e para um gradual enfrentamento da quest\u00e3o: o abuso incestuoso \u00e9 mais comum do que se imagina. E os abusadores s\u00e3o pais, m\u00e3es, padrastos, madrastas, tios, tias, irm\u00e3os, irm\u00e3s \u2013 e outras pessoas que t\u00eam a confian\u00e7a da crian\u00e7a por ocupar alguma fun\u00e7\u00e3o parental, mesmo sem consanguinidade, como um padrinho ou uma madrinha.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do psiquiatra Cl\u00e1udio Cohen e do psic\u00f3logo Tadeu Roberto de Abreu, ambos profissionais do Centro de Estudos e Atendimento Relativos ao Abuso Sexual (Cearas), da Faculdade de Medicina da USP, para compreender o abuso incestuoso, suas implica\u00e7\u00f5es e formas de preven\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso olhar para a fam\u00edlia. Afinal, dizem eles, n\u00e3o se trata de um fen\u00f4meno que envolva apenas duas pessoas, o agressor e sua v\u00edtima. \u201cO abuso \u00e9 sintoma de uma fam\u00edlia disfuncional\u201d, afirma Tadeu. \u201cNunca \u00e9 algo casual. Outros eventos provavelmente j\u00e1 vinham acontecendo e n\u00e3o foram tidos como graves.\u201d Um exemplo \u00e9 a falta de limites evidentes para as manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou afetivas entre os membros da fam\u00edlia, como toques e carinhos excessivos ou inadequados.<\/p>\n<p>\u201cO contato \u00e9 fundamental para a transmiss\u00e3o de afeto durante o desenvolvimento da crian\u00e7a. Mas em que momento essa proximidade f\u00edsica se torna erotizada e incestuosa? Quando n\u00e3o se estabelecem limites nessa rela\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Cl\u00e1udio Cohen. E esses limites devem partir daqueles que exercem o papel de cuidadores no ambiente familiar, como o pai e\/ou a m\u00e3e. A confus\u00e3o nos pap\u00e9is desempenhados, que desemboca em fun\u00e7\u00f5es parentais desajustadas e na indefini\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos entre os membros da fam\u00edlia, aumenta a vulnerabilidade de crian\u00e7as e adolescentes dentro de casa. Ao contr\u00e1rio do que seria saud\u00e1vel, a libido n\u00e3o \u00e9 vivida fora das fronteiras familiares.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o nascemos \u00e9ticos nem sabendo o que \u00e9 moral ou imoral, certo ou errado\u201d, afirma Tadeu. \u201cNa fam\u00edlia vamos desenvolver tais conceitos, ter as primeiras no\u00e7\u00f5es de relacionamento com o outro \u2013 como a de assimetria, entre pais e filhos, que depois servir\u00e1 de base para as rela\u00e7\u00f5es de professor-aluno, chefe-empregado\u2026\u201d Segundo Tadeu, se essa assimetria n\u00e3o existe e os pr\u00f3prios pais n\u00e3o t\u00eam tais limites internalizados, a fam\u00edlia se encontra em uma situa\u00e7\u00e3o de risco, favor\u00e1vel a atos abusivos. \u201cPor exemplo: n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os diferenciados na casa que permitam o desenvolvimento da individualidade, da privacidade, mas n\u00e3o por falta de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Dormem todos na mesma cama ou podem entrar nos ambientes dom\u00e9sticos \u2013 como o banheiro \u2013 a qualquer momento, sem bater\u201d, diz. \u201cH\u00e1 pais que beijam os filhos, de qualquer idade, na boca. Isso \u00e9 p\u00e9ssimo: essa ternura excessiva n\u00e3o vai ajudar aquele ser humano a se desenvolver afetivamente.\u201d<\/p>\n<p>Quando um caso de abuso incestuoso vem \u00e0 tona, n\u00e3o s\u00f3 a v\u00edtima \u00e9 afetada: todos os demais familiares tamb\u00e9m. \u201cO abuso n\u00e3o passa somente pela genitalidade, pelo ato sexual\u201d, ressalta o psiquiatra Cl\u00e1udio. \u201cSe um irm\u00e3o v\u00ea a irm\u00e3 sendo abusada pelo pai, ele tamb\u00e9m est\u00e1 \u2013 de certo modo \u2013 sendo abusado.\u201d Por isso, \u00e9 preciso ter em mente que a preven\u00e7\u00e3o ao abuso sexual contra crian\u00e7as e adolescentes come\u00e7a, antes de tudo, com o respeito a seus direitos e \u00e0 sua individualidade dentro de casa.<\/p>\n<p>*Post originalmente publicado em 15\/09\/2010<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"class_list":["post-1762","acoes-e-iniciativas","type-acoes-e-iniciativas","status-publish","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.14 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Caminhos do incesto: quando o carinho se torna abuso - Childhood Brasil<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/caminhos-do-incesto-quando-o-carinho-se-torna-abuso\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Caminhos do incesto: quando o carinho se torna abuso - Childhood Brasil\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Casinha utilizada nas sess\u00f5es de terapia familiar realizadas pelo Cearas-USP A sociedade, durante muito tempo, negou a ocorr\u00eancia do abuso sexual intrafamiliar, considerando-o um fen\u00f4meno raro e pontual. 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