{"id":1722,"date":"2015-06-03T14:05:45","date_gmt":"2015-06-03T17:05:45","guid":{"rendered":"https:\/\/childhoodbrasil.c7net.com.br\/?p=1722"},"modified":"2026-01-26T11:07:54","modified_gmt":"2026-01-26T14:07:54","slug":"os-caminhos-do-incesto-uma-perversao-silenciosa","status":"publish","type":"acoes-e-iniciativas","link":"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/os-caminhos-do-incesto-uma-perversao-silenciosa\/","title":{"rendered":"Os caminhos do incesto: uma pervers\u00e3o silenciosa"},"content":{"rendered":"<p>Desenho contido no livro &#8220;A viol\u00eancia silenciosa do incesto&#8221;, de Gra\u00e7a Piz\u00e1<\/p>\n<p>O desenho retrata uma figura metade menina, metade mulher. A autora-mirim, como milhares de outras crian\u00e7as brasileiras, foi v\u00edtima de abuso incestuoso. Expressa, por meio da imagem amb\u00edgua, o conflito entre a sexualidade infantil e a adulta, que lhe foi imposta precocemente e que ela pouco compreende.<\/p>\n<p>Outra ilustra\u00e7\u00e3o \u2013uma crian\u00e7a e um adulto no topo de uma montanha \u2013 revela um sonho recorrente entre as v\u00edtimas da viol\u00eancia sexual intrafamiliar: \u201cEsse \u00e9 o lugar onde eu mais sentia medo de ir com meu pai, na montanha. L\u00e1 n\u00e3o tem ningu\u00e9m, e l\u00e1 embaixo est\u00e1 o mar\u201d. A montanha aparece, ent\u00e3o, como representa\u00e7\u00e3o do medo de reagir e da imensa solid\u00e3o daquela crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Esses e outros tantos desenhos e relatos foram colhidos pela psicanalista Gra\u00e7a Piz\u00e1 e sua equipe\u00a0ao longo de 15 anos de exist\u00eancia da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica da Viol\u00eancia, no Rio de Janeiro. \u201cCriamos o primeiro centro de estudos e pesquisas sobre o incesto, que \u00e9 refer\u00eancia no Brasil. E conseguimos detectar e mapear com precis\u00e3o o universo afetivo da crian\u00e7a que est\u00e1 exposta a esse tipo de viol\u00eancia sexual\u201d, afirma Gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Desenho contido no livro &#8220;A viol\u00eancia silenciosa do incesto&#8221;, de Gra\u00e7a Piz\u00e1<\/p>\n<p>A psicanalista tomou contato com a quest\u00e3o do incesto quando trabalhava com meninas e meninos infratores na Funabem, na d\u00e9cada de 1980. \u201cCrian\u00e7as muito pequenas apareciam com doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, gonorreia, Aids, mordidas ou hematomas, e na \u00e9poca esses ind\u00edcios n\u00e3o eram investigados. Dentro da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o hospitalar, os casos de abuso<\/p>\n<p>sexual eram tidos como tabu\u201d, conta. A maioria daquelas crian\u00e7as vivia nas ruas depois de ter fugido de casa e do horror do abuso incestuoso. Muitas delas eram exploradas sexualmente e passavam a usar drogas ou a cometer crimes. \u201cConstatei que essas crian\u00e7as apresentavam sintomas psicol\u00f3gicos e uma gama de sentimentos, emo\u00e7\u00f5es e afetos muito intensos e confusos\u201d, diz Gra\u00e7a, que tamb\u00e9m estudou o tema em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado,\u00a0<em>O C\u00edrculo do Horror: a reclus\u00e3o hospitalar na inf\u00e2ncia<\/em>. \u201cComo n\u00e3o se sabia para onde encaminhar esses casos \u2013 muitos sa\u00edam do hospital e voltavam para o conv\u00edvio com o abusador \u2013, decidi criar a cl\u00ednica.\u201d<\/p>\n<p>Isso aconteceu em 1996. Desde ent\u00e3o, Gra\u00e7a j\u00e1 atendeu em torno de 5 mil casos. Segundo ela, o incesto \u00e9 uma viol\u00eancia invis\u00edvel cuja ocorr\u00eancia a sociedade resiste em admitir. De acordo com v\u00e1rios estudos, cerca de 70% dos abusos incestuosos s\u00e3o cometidos pelos pr\u00f3prios pais. Dentro das fronteiras familiares, o segredo escondido: o desejo sexual do adulto por aquele que ele mesmo gerou. \u201cO limiar que separa um beijo, um carinho, o dormir nu ao lado da crian\u00e7a e o dar-lhe banho do abuso sexual \u00e9 muito t\u00eanue. Essa extrema proximidade gera medo, um pavor muito grande na sociedade, que n\u00e3o suporta reconhecer essa viol\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Por conta de sua experi\u00eancia cl\u00ednica e de todas as pesquisas realizadas, Gra\u00e7a cunhou o conceito de \u201ccrian\u00e7a-fetiche\u201d \u2013 transformada em objeto do prazer alheio. O pai n\u00e3o ocupa o lugar simb\u00f3lico de pai, a m\u00e3e n\u00e3o assume sua maternidade. E a crian\u00e7a n\u00e3o se reconhece como crian\u00e7a, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 ouvida, seus desejos n\u00e3o s\u00e3o respeitados e ela parece n\u00e3o existir para os adultos. Embora mantidos em segredo, esses \u201cafetos emparedados\u201d \u2013 no dizer de Gra\u00e7a \u2013 n\u00e3o s\u00e3o fantasia nem inven\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e sim uma realidade, ainda presente em muitas fam\u00edlias, a ser enfrentada e revertida.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"class_list":["post-1722","acoes-e-iniciativas","type-acoes-e-iniciativas","status-publish","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.14 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Os caminhos do incesto: uma pervers\u00e3o silenciosa - Childhood Brasil<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.childhood.org.br\/acoes-e-iniciativas\/os-caminhos-do-incesto-uma-perversao-silenciosa\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Os caminhos do incesto: uma pervers\u00e3o silenciosa - Childhood Brasil\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Desenho contido no livro &#8220;A viol\u00eancia silenciosa do incesto&#8221;, de Gra\u00e7a Piz\u00e1 O desenho retrata uma figura metade menina, metade mulher. 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