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Teatro incentiva diálogo familiar e denúncias contra abuso sexual no Rio

Discutir a questão da violência sexual e direitos humanos era um grande tabu na comunidade da Mangueirinha, localizada na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. O desafio está sendo vencido a cada dia por meio da expressão artística. Quase 900 pessoas já assistiram a esquete teatral “Um causo no sertão: eu conto ou tu contas?”, do grupo Mangat, da Associação Brasileira Terra dos Homens. A montagem retrata um caso de abuso sexual e propõe discutir as medidas de atendimento com crianças da rede pública escolar da região carioca. A história é contada em forma de literatura de cordel, e o resultado tem sido a elevação do número de denúncias e o maior diálogo entre pais e filhos sobre o assunto.

“Não se falava sobre o problema, porque muitas mulheres da comunidade já sofreram algum tipo de violência sexual ou doméstica. Mas o teatro está fazendo os pais se tornarem mais abertos a discutir o tema, quando os filhos levam o assunto para dentro de casa”, afirma Luciano Ramos, coordenador da Terra dos Homens. “Onde predominava o silêncio, agora os diretores de escola também estão conseguindo tocar o tema nas reuniões de pais, incentivados pelo teatro”.

Antes da peça, as crianças são convidadas a responder um questionário sobre como agir diante de um caso de violência sexual. No final da peça, uma roda de debates é formada com especialistas (pedagogos, psicólogos e assistentes sociais) para esclarecer as dúvidas. O projeto é apoiado pela Childhood Brasil, e tem o incentivo de conselhos tutelares, do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS) e da rede de serviços de proteção contra a violência sexual. “Depois da peça, alguns adolescentes vítimas de abuso acabam procurando a orientação com os especialistas ali presentes”, conta Luciano.

A partir de setembro, o grupo teatral Mangat deve apresentar também outra peça, desta vez ressaltando a questão da exploração sexual de crianças e adolescentes. O roteiro é escrito pelos próprios jovens protagonistas da companhia. “Queremos incentivar que as crianças e adolescentes cobrem dos pais, vizinhos e toda a comunidade que os proteja, porque é uma obrigação dos adultos”.

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