29
jan
2018

Boas práticas: conheça o Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil de Porto Alegre

Buscando disseminar iniciativas que reforcem a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violências, inclusive a sexual, a Childhood Brasil lançou a publicação Centros de Atendimento Integrado a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violências: Boas Práticas e Recomendações para uma Política Pública de Estado. O livro apresenta seis exemplos bem-sucedidos de Centros de Atendimento Integrado no Brasil e dois fora dele, subsidiando municípios para que eles possam repensar seus sistemas de atendimento de acordo com a Lei 13.431/2017, que entra em vigor no país em abril de 2018.

O Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil (CRAI), localizado em Porto Alegre, é uma das experiências apresentadas no livro. Ativo há 17 anos, a necessidade de sua implementação foi percebida após o Ministério Público abrir um Inquérito Civil, em 1997, para apurar as causas do crescimento do índice local de crianças e adolescentes que sofreram violência sexual. A falta de intersetorialidade e o alto grau de revitimização, que foram apontados como os grandes problemas do atendimento dessas vítimas, fez com que gestores do Estado concebessem uma proposta de serviço integrado, cujo principal objetivo seria a proteção dessas meninas e meninos vítimas ou testemunhas de violência.

A partir de 2001, portanto, foi constituída uma equipe de profissionais especializados dentro do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV). Ela contava com médicos, psicólogos, assistentes sociais e um posto avançado da Delegacia Especializada da Criança e do Adolescente (Deca). Tal organização foi o primeiro passo para a consolidação do Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil (CRAI) no mesmo espaço.

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Atualmente, o CRAI conta com:

- quatro psicólogas;

- dois assistentes sociais;

- dois pediatras;

- um médico ginecologista;

- uma técnica administrativa;

- quatro médicos legistas para perícia física;

- dois médicos psiquiatras para perícia psíquica;

- quatro psicólogas para a perícia psíquica;

- dois auxiliares de perícia;

- uma escrivã da Polícia.

Robusta, a equipe realiza uma avaliação acerca da violência ocorrida, enquanto o acompanhamento do caso é feito por órgãos como os Conselhos Tutelares e os Centros Especializados de Atendimento Psicossocial (Creas), por exemplo.

Tal atendimento, conhecido como biopsicossocial, contribui para garantir a saúde e o bem-estar das crianças e dos adolescentes vítimas de violência, assim como para indicar as medidas que deverão ser tomadas pela rede de proteção para garantia de direitos e proteção à vítima. O atendimento pericial, por sua vez, é realizado para materializar as provas de crime de abuso sexual, por meio da realização de exames e laudos, do trabalho policial na execução dos registros de ocorrência e a posterior investigação criminal. Com isso, o Centro afirma oferecer maior proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.

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Para garantir a integração e o cumprimento de tal fluxo, é preciso um trabalho constante de afinamento, diálogo e encontro. Segundo Eliane Soares, coordenadora do CRAI: “O trabalho integrado é um processo que nunca finaliza. A gente tece relações todos os dias. Precisamos estabelecer confiança através do diálogo o tempo todo”.

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22
jan
2018

Boas práticas: o centro Barnahus Stockholm é referência no atendimento integrado

Com o objetivo de disseminar iniciativas que reforcem a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violências, inclusive a sexual, a Childhood Brasil lançou a publicação Centros de Atendimento Integrado a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violências: Boas Práticas e Recomendações para uma Política Pública de Estado. O livro apresenta seis exemplos bem-sucedidos de Centros de Atendimento Integrado no Brasil e dois fora dele, subsidiando municípios para que eles possam repensar seus sistemas de atendimento de acordo com a Lei 13.431/2017, que entra em vigor no país em abril de 2018.

Dentre os casos apresentados no material está o Barnahus Stockholm, que foi implementado pelo governo da Suécia em 2005 sob forte inspiração do National Children’s Advocacy Center (NCAC), dos Estados Unidos. Projetado para ser um serviço que abrange toda a população, seis centros-piloto foram distribuídos em regiões distintas do país no início do programa – até que, em 2008, o modelo se provou viável e foi consolidado como política pública.

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Assim como as diretrizes seguidas no National Children’s Advocacy Center, o Barnahus oferece serviços de atenção, proteção e responsabilização integrados em um único espaço, que é especialmente preparado para crianças e adolescentes vítimas de violências. Seu principal objetivo é realizar a investigação criminal e, ao mesmo tempo, garantir o bem-estar de meninas e meninos que foram vítimas ou testemunhas de abusos sexuais. Sua sede possui uma equipe composta por sete assistentes sociais, 50 policiais, cinco psicólogos, três promotores do Ministério Público e diversos enfermeiros e médicos especializados, que prestam atendimentos de avaliação clínica, serviço social e até investigação forense.

Além disso, o espaço é acolhedor e amigável: com mobiliário colorido, a decoração é sóbria, tem aspecto bem conservado e dispõe de alguns brinquedos de uso unissex. O objetivo desse cuidado é que as crianças não fiquem muito distraídas, sobretudo porque devem passar pela entrevista forense, mas que, ainda assim, tenham a possibilidade de relaxar.

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O centro também busca divulgar informações sobre a importância de ações pró-infância por meio de publicações promovidas pelo Serviço Social ou pelas unidades de ensino. Já foram elaboradas cartilhas sobre o trabalho da Barnahus e sobre o processo legal. Uma das publicações, voltada para crianças e com linguagem acessível para entendimento desse público, explica sobre as violências que acometem meninas e meninos e o trabalho de investigação e proteção da polícia e dos demais serviços do Centro. O texto explica que a Barnahus é um local de acolhimento onde todas as violências sofridas ou testemunhadas podem ser relatadas.

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19
jan
2018

Ação Broken Crayons chama atenção para os relatos de abuso sexual implícitos em desenhos escolares

O ato de desenhar é fundamental para o desenvolvimento intelectual durante a infância. É nesse período que aprendemos a transmitir experiências de nossos cotidianos por meio de ilustrações e, com isso, compreendemos o mundo e os papéis que exercemos nele. Porém, da mesma forma que essa capacidade pode auxiliar no aprendizado e no crescimento de crianças, também pode servir para transmitir relatos inconscientes de violências já vividas ou testemunhadas.

Para trazer tal realidade à tona, a ONG norte-americana Amigos for Kids realizou uma exposição de desenhos escolares durante o Miami Art Week de 2017 para chamar atenção para os relatos de abusos implícitos no dia a dia de diversas crianças ao redor do mundo. Intitulado Broken Crayons, o vídeo da ação mostra o comportamento de adultos no momento em que admiravam uma das gravuras expostas e, por um fone de ouvido, ouviam a voz de um menino explicando que a ilustração representava seu treinador abusando sexualmente dos colegas de time.

Confira o vídeo em inglês:

A iniciativa coloca em pauta a discussão sobre a proteção da infância e ressalta a importância de mantermos os olhos sempre abertos para os sinais existentes em desenhos, conversas, pinturas e comportamentos das crianças. Quanto mais rápido uma situação de abuso for identificada, maior é a possibilidade de interromper o ciclo de violência.

Para conhecer mais sobre a ONG, acesse.

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17
jan
2018

Boas práticas: conheça o National Children’s Advocacy, centro de atendimento integrado dos EUA

Sabendo da importância de disseminar iniciativas que reforcem a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violências, inclusive a sexual, a Childhood Brasil lançou a publicação Centros de Atendimento Integrado a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violências: Boas Práticas e Recomendações para uma Política Pública de Estado. O livro, que apresenta oito exemplos bem-sucedidos de Centros de Atendimento Integrado no Brasil e fora dele, objetiva inspirar e subsidiar municípios para que eles possam coloca-los em prática de acordo com a Lei 13.431/2017, que entra em vigor no país em abril de 2018.

Dentre as experiências apresentadas está o National Children’s Advocacy Center, espaço que foi fundado em 1985 no Alabama, Estados Unidos, e é considerado pioneiro na integração do fluxo de atendimento de meninas e meninos que passaram por situações de violência. Seu formato é recomendado pela lei federal Children’s Justice Act (Lei da Justiça Infantil) e inspirou a implantação de cerca de 900 outros CACs espalhados pelos 50 estados americanos e ao redor do mundo, em países como Islândia, Austrália, Canadá, México e África do Sul.

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O foco do NCAC é atuar na formação, prevenção e intervenção terapêutica em casos de violência sexual. Com isso, seu protocolo de entrevista forense foi desenvolvido para evitar que as vítimas peregrinem por vários serviços e sejam revitimizadas, revivendo o trauma incontáveis vezes. Assim, as crianças e os adolescentes são encaminhadas para um único espaço, que, além de possuir uma equipe multidisciplinar de profissionais especializados e preparados, conta com infraestrutura, ambiente e decoração adaptados para diversas faixas etárias.

Como nos Estados Unidos a porta de entrada para as investigações dos casos de violência são o Departament of Human Resources (DHR, Departamento de Recursos Humanos) e o Law Enforcement (departamento de polícia), as vítimas que se encaminharem ao NCAC não precisarão ir a delegacias, serviços de proteção ou qualquer outro local, sendo diretamente encaminhadas para atendimento no Centro especializado mais próximo, onde ocorre sua primeira interação com o sistema. Nesse espaço, são realizadas a entrevista forense e o atendimento médico, mental e social da vítima, enquanto, paralelamente, o promotor de Justiça já analisa uma possível produção de provas no tribunal.

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Dentre todos os serviços prestados pelo National Children’s Advocacy Center, estão os programas de apoio a familiares de primeira viagem, a prevenção à violência no ambiente escolar, a cooperação em educação parental e os atendimentos jurídicos, que incluem o depoimento especial.

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15
jan
2018

O papel do adulto na proteção da infância: saiba como agir em casos de abuso sexual

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Proteger a infância é um papel de toda a sociedade, não somente dos pais, responsáveis, escolas e governos. Mas de cada um de nós.

Identificar uma situação de abuso é o primeiro passo para interromper o ciclo de violência na vida de uma criança ou adolescente. E, em nosso dia a dia, pequenas atitudes já podem ser de grande valor para auxiliar meninos e meninas que se possam se encontrar em alguma situação de risco.

Hoje, 15 de janeiro, data em que é celebrado o Dia do Adulto, a Childhood Brasil apresenta uma série de dicas para que todos possam reconhecer e agir diante de uma suspeita de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Confira!

Como identificar?

Em caso de suspeita, é importante ter um olhar cuidadoso para identificar alguns sinais de mudanças bruscas no comportamento das crianças e adolescentes.

No dia a dia, fique atento a:

- mudanças repentinas de comportamento, como alterações no humor, atitudes agressivas, sonolência e perda ou excesso de apetite;

- baixa autoestima, insegurança, comportamentos sexuais inadequados para a idade e busca por isolamento;

- lesões, hematomas e outros machucados sem causas aparentes;

- gravidez precoce;

- doenças sexualmente transmissíveis;

- desconfia de contato com adultos;

- fugas de casa e evasão escolar.

Ressaltamos que a existência isolada de um dos indicadores não é significativa para a interpretação da presença de violência sexual contra crianças e adolescentes. Na dúvida denuncie e procure por ajuda especializada.

Como agir?

Diante de casos de abuso sexual, saber como agir em caso de uma suspeita ou revelação de um caso por parte de uma criança ou adolescente também é primordial para ajudar quem sofreu a violência.

Na hora de realizar a denúncia, procure canais como o Disque 100, que funciona 24h, é gratuito e anônimo, o aplicativo Proteja Brasil, ou vá direto no Conselho Tutelar mais próximo ou em delegacias de polícia especializadas, da mulher ou, caso prefira, nas locais também.

Além disso, para casos de atendimento e acompanhamento da criança ou adolescente, recomenda-se o Centro Nacional de Referencia às Vítimas de Violência (CNRVV), do Instituto Sedes Sapientiae. O telefone do Centro, que fica em São Paulo, é (11) 3866-2730.

 

Você, adulto, quer aproveitar este dia para conhecer mais dicas de como agir em casos de abuso sexual de crianças e adolescentes? Acesse.

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9
jan
2018

Dica Cultural: animação Era uma Vez Outra Maria debate os direitos das mulheres

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Produzido pelo Instituto Promundo, a animação Era uma Vez Outra Maria conta sobre a vida de uma menina que começa a descobrir o mundo. O dia a dia da personagem e as diversas experiências retratadas na obra acabam por discutir os reflexos das relações de gênero no crescimento de jovens mulheres como ela.

O enredo mostra Maria questionando as expectativas de como ela deve ou não deve ser, debatendo seus direitos e a forma com que a educação influencia seus desejos, comportamentos e atitudes. Sem falas, o filme traz sensibilidade na hora de abordar temáticas como sexualidade, violência, amadurecimento e a necessidade de realizar escolhas.

A obra é didática e pode ser utilizada por profissionais e organizações interessados em conversar sobre saúde e autonomia das mulheres jovens.

Ficou interessado? Você pode conferir o filme na íntegra clicando aqui. Depois nos conte o que achou e indique para os amigos!

Essa animação faz parte da filmografia selecionada pela Childhood Brasil com o objetivo de utilizar a cultura como forma de tratar sobre o tema da violência sexual de crianças e adolescentes de uma forma descomplicada e acessível. Você pode conferir mais detalhes sobre a obra e conhecer outras aqui no site.

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