1
dez
2010

Ressignificar a violência, um passo para o tratamento

Sala de atendimento a autores de violência sexual em Goiânia

“Pedro [nome fictício] era o famoso pedófilo: apaixonado pelos adolescentes que abusava, tinha o nome de alguns deles tatuados em seu braço. Deve ter abusado de mais de cem adolescentes, embora constassem apenas dois no processo judicial. No início dos atendimentos, ele dizia que os meninos gostavam do abuso. Argumentava que não eram nada bobos e que alguns, inclusive, já tinham feito sexo com o tio ou até com o pai. Ele não conseguia compreender que essas relações incestuosas já eram abusivas, que os meninos já tinham sido abusados antes.”

Essa história é contada pela psicóloga Karen Michel Esber, pesquisadora e consultora em atenção à violência, de Goiânia (GO). De modo pioneiro no país, Karen e outros profissionais desenvolveram o Programa de Atendimento ao Autor de Violência Sexual, como parte do projeto Invertendo a Rota, realizado pela Universidade Católica de Goiás entre 2004 e 2007. Segundo ela, o acompanhamento terapêutico pode diminuir os casos de reincidência entre os agressores que já cumpriram sua punição legal. “Esses sujeitos precisam de atendimento. Não adianta só punir, só encarcerar, mantê-los atrás das grades”, diz ela.

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29
nov
2010

Doações: como contribuir para disseminar a causa

A arquiteta Márcia Julião, sócia-diretora do escritório de arquitetura Ricardo Julião, já era uma mulher realizada pessoal e profissionalmente, mas, como cidadã consciente de seu papel na sociedade, sentia que precisava fazer algo além. “Não podemos fechar os olhos para os problemas sociais, ainda mais para crimes como a violência sexual, que comprometem o desenvolvimento das nossas crianças e adolescentes.”

Há quatro anos, Márcia apoia os projetos da Childhood Brasil, tanto na pessoa física, como por meio da empresa. “O que mais me motiva é conhecer os resultados da instituição, mesmo que não esteja trabalhando diretamente na causa”, diz ela.

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26
nov
2010

Matéria jornalística gera a prisão de rede de exploração sexual no município de Pombal

Traçar a radiografia da exploração sexual de crianças e adolescentes na Paraíba e debater os caminhos para enfrentar este crime foi a corajosa proposta do repórter Wendell Rodrigues, da TV Correio (afiliada da Rede Record), quando se inscreveu na 5ª edição do Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística, realizado pela Childhood Brasil em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância – ANDI. Apesar da consolidada experiência profissional, de ter pesquisado sobre tema e aprendido muito nas oficinas oferecidas aos vencedores do Concurso, Wendell não tinha idéia de quantos obstáculos enfrentaria com sua equipe para conseguir realizar a reportagem, nem da repercussão que isso geraria.

Foram quase cinco mil quilômetros percorridos por dezenas de cidades na Paraíba, durante três meses de investigação. O resultado foi a série Juventude Vendida, que recebeu Menção Honrosa no Concurso Tim Lopes na categoria Televisão, com seis matérias veiculadas em agosto, nos principais telejornais da região (Correio Verdade e Jornal do Correio).

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24
nov
2010

Childhood Brasil lança sistematização de programa de enfrentamento à exploração sexual infantojuvenil nas estradas

Capa da publicação da sistematização

Lançado oficialmente em novembro de 2006, o Programa Na Mão Certa está fundamentado num Pacto Empresarial contra a exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras, proposto pela Childhood Brasil em parceria com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e a Organização Internacional do Trabalho.

Cinco anos depois, em outubro último, a Childhood lançou uma publicação com a sistematização desta experiência que se consolida como um modelo de sucesso.

Clique aqui e conheça a trajetória do Programa Na Mão Certa, cujo Pacto Empresarial tem número recorde de adesões no Brasil: já são mais de 800 signatárias, entre empresas de diferentes portes e setores, e entidades empresariais.

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22
nov
2010

Depoimento de mãe: vergonha e dificuldades de incriminar o agressor sexual

Felícia Balcon (nome fictício) estava deitada na cama, brincando com seu filho Lucas (nome fictício), de três anos. Quando de repente, ele pega um cinto que estava no chão e vai pra cima dela, imitando uma voz grossa masculina: “’Fica quietinho senão vou te dar uma surra e se você falar alguma coisa, vou machucar sua mãe e sua avó”. O garotinho ainda acrescentou: “Homem é com mulher senão vão rir de você. Mulher embaixo e homem em cima. Fica quietinho que eu vou colocar meu pipi no seu bumbum”’.

Mesmo estando bem mais forte, depois de três anos ajudada pela terapia, a mãe ainda chora várias vezes emocionada ao lembrar-se da cena tão chocante. Naquele dia teve de encarar a dura realidade de que o filho, além de ser abusado sexualmente pelo próprio pai, sofria ameaças:

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19
nov
2010

Criança é obrigada a ver o pai denunciado por abuso sexual

Criança é obrigada a ver o pai denunciado por abuso sexual

Felícia Balcon (nome fictício) sonha com o dia em que o seu filho Lucas (nome fictício) possa reestruturar sua vida e nunca mais precise ter contato com o pai dele, acusado de tê-lo violentado sexualmente, quando ele tinha apenas três anos. A mãe conta como é ter de levar o filho, a cada quinze dias, ao Centro de Visitas Assistidas do Tribunal de Justiça (Cevat) para ver o agressor, mesmo contra a vontade dele.

Por que seu filho precisa ver o pai, mesmo depois da denúncia de agressão sexual?

A juíza responsável pelo caso não levou em conta o laudo do psicólogo particular de meu filho, nem o laudo das psicólogas do Hospital Pérola Byington (especializado em casos de violência sexual), nem da psicóloga da Vara de Justiça, que aconselhava que o abusador fosse submetido a tratamento e fosse mantido afastado do filho. Entre outras coisas, meu filho demonstrou que havia sido abusado ao fazer gestos de masturbação com os bonecos nas sessões de terapia.

O pai nem compareceu na audiência e eu perdi uma entrevista de trabalho para ir lá, e mesmo assim não valeu nada o que eu falei, nem os laudos apresentados. A juíza passou por cima da formação técnica dos psicólogos e disse que, como mãe, ela entendia que a criança deveria ver o pai. Queria ver se ela desejaria a mesma coisa se tivesse acontecido com o filho dela! O psicólogo de meu filho acha que isso não é bom para ele. O Judiciário transforma o criminoso em vítima e as mães em loucas. A vida do meu filho está presa a isso.

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