19
jan
2011

Depoimento sem medo: livro dá voz à criança vítima de abuso sexual

“Por favor, me deixa. Não me pergunta mais nada sobre isso. Eu queria esquecer”. Este relato de uma menina de 8 anos, registrado em um dos processos da Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente de Goiânia, retrata a dor de crianças vítimas de abuso sexual, submetidas a interrogatório e abre o livro Depoimento Sem Medo (?) – culturas e práticas não-revitimizantes: uma cartografia das experiências de tomada de depoimento especial de crianças e adolescentes, uma realização da Childhood Brasil. Escrita por Benedito Rodrigues dos Santos e Itamar Batista Gonçalves, a obra propõe experiências alternativas na tomada de depoimentos de crianças e adolescentes, vítimas ou testemunhas de violência sexual, e também reafirma o direito de que suas vozes sejam respeitadas e valorizadas como prova testemunhal.

O principal objetivo é evitar a revitimização de meninas e meninos, que ainda ocorre com frequência nas tomadas de depoimentos convencionais nas delegacias. O livro é resultado da análise de relatos feita pela equipe de pesquisa do projeto “Invertendo a rota: ações de enfrentamento da exploração sexual infantojuvenil em Goiás”, coordenado pelo professor Benedito Rodrigues dos Santos, e também do projeto “Culturas e práticas não-revitimizantes: reflexão e socialização de metodologias alternativas para inquirir crianças e adolescentes em processos judi­ciais”, realizado pela Childhood Brasil e a Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP). A iniciativa também contou com o apoio da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

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17
jan
2011

Violência doméstica é principal causa da fuga para as ruas de meninos no Brasil e nos Estados Unidos

O personagem Pixote, do filme de Hector Babenco, e crianças com roupas sujas e rasgadas, perambulando pelas ruas, cheirando cola e dormindo nas calçadas da Praça da Sé, em São Paulo, ainda são as imagens predominantes para retratar os meninos de rua no Brasil. No entanto, mesmo sendo pouco divulgado, eles são numerosos também nos Estados Unidos e muitos acabam se envolvendo com o mercado da exploração sexual. Os chamados runaways (fugitivos) saem de casa pelos mesmos motivos das crianças e adolescentes brasileiros – devido ao abuso sexual e todos os tipos de maus tratos dentro de casa, segundo a tese de doutorado Crianças ingovernáveis: fugitivos de casa, moradores de rua e meninos de rua de Nova York e São Paulo, defendida na Universidade de Berkeley, da Califórnia.

O autor é o antropólogo brasileiro e professor da Universidade Católica de Brasília, Benedito Rodrigues dos Santos. Ele também é um dos fundadores do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Childhood Brasil.

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14
jan
2011

Meninas sem futuro: canção protesta contra exploração sexual infantojuvenil

Cantora e compositora Mona Gadelha - Crédito da foto: Helio Creston

Apenas Meninas
(Mona Gadelha /Moisés Santana)

Apenas meninas, quase mulheres
Mil Iracemas, sem eira, nem beira
Sem rastro, sem traços
De tantos quereres e tantos abraços
Pequenas cunhãs, nuas e plácidas
Chegaram tão cedo
Sem amanhã

Apenas rapazes, brancos de lã
Com suas asas, já não têm navios
Galegos em brasa, operários do amor
E suas roubadas
Cigarros e flats, pras índias espelhos
Colares, perfumes, tudo sabor

Apenas meninas, peitos pequenos
Mil Iracemas, sem eira, nem beira
Sem rastro, sem traços, de tantos quereres
E tantos abraços
Pequenas cunhãs, nuas e plácidas
Chegaram mais cedo
Sem amanhã.

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12
jan
2011

Hospital Pérola Byington: crianças e adolescentes são maioria nos atendimentos de agressão sexual

Recepção do Hospital Pérola Byington

Confiança no serviço de saúde de referência e maior divulgação sobre violência sexual contra crianças e adolescentes na imprensa têm encorajado muitas pessoas a denunciar os casos de abuso sexual infantojuvenil e a procurar atendimento médico e psicológico. Esta é a avaliação de Sandra Regina Garrido, diretora técnica do Serviço Social do Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Embora o local seja popularmente conhecido por tratar da saúde da mulher, nos últimos dois anos, 75% do total de atendimentos foram para crianças e adolescentes – sendo cerca de 15% para meninos.

Deste total, vem crescendo o número de crianças vítimas de abuso menores de doze anos. Em 2008, elas representavam 47% dos casos de agressão sexual; em 2009, o número subiu para 51% e, só no primeiro semestre deste ano, já são 54% dos atendimentos. “Estes dados não significam que tem aumentado o número de abusos em São Paulo, mas sim que as pessoas estão tendo mais acesso a informações e tomando coragem para buscar ajuda, o que não acontecia antes quando tudo era velado”, afirma Sandra Garrido.

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10
jan
2011

Psicoterapia de grupo: a importância de um ambiente acolhedor para vítimas de abuso sexual

Por anos a fio ela tinha guardado aquele segredo. Um dia, durante a terapia em grupo no hospital, resolveu finalmente acabar com aquele silêncio. Tinha então 70 anos, mas não podia mais se calar. Quando adolescente havia sido abusada sexualmente pelo irmão e, com medo do noivo descobrir na lua de mel, resolveu contar porque não era mais virgem. Ela esperava no mínimo um abraço apertado do rapaz, mas em troca recebeu apenas o desprezo e o fim do noivado. Passou a vida sozinha, com medo de que outros desmanchassem com ela também.

“Ela se sentiu tão acolhida na sessão que contou toda sua história, embora estivesse num grupo para discutir o câncer”, conta Alcina de Cássia Meireles, diretora técnica do serviço de saúde do Núcleo de Psicologia do Hospital Pérola Byington. “Na outra semana ela me disse o quanto estava aliviada e feliz, por ter compartilhado sua experiência”.

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7
jan
2011

Medicação de urgência pode ser necessária após agressão sexual

As vítimas de violência sexual devem procurar o médico imediatamente após a ocorrência do crime. Além de passar pelos transtornos, muitas vezes irreversíveis, da agressão, estima-se que até 50% das sobreviventes da violência sexual são infectadas por alguma doença sexualmente transmissível – DST, trazendo severas consequências físicas e emocionais. Cerca de 80% das vítimas de violência sexual têm como principal preocupação a possibilidade de se infectar com o HIV. “Hoje, em São Paulo, apenas 5% das vítimas que procuram uma delegacia recebem informações para serem encaminhadas com urgência para o serviço de saúde, mas esta ainda não é a realidade do restante do país, então muitas jovens acabam contraindo doenças”, afirma o Dr. Jéferson Drezett, diretor técnico do Núcleo de Programas Especiais do Serviço de Atenção Integral à Mulher em Situação de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington.

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