3
out
2017

O poder da escuta durante o atendimento de vítimas de violências

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Uma das grandes contribuições da Lei que garante a Escuta Protegida é a preocupação com a voz das crianças e dos adolescentes vítimas de violências sexuais. Métodos como o depoimento especial e a escuta especializada, por exemplo, foram implementados durante o atendimento para tornar esse processo menos doloroso e complicado.

Para entender esses e outros benefícios, conversamos com a psicanalista Graça Pizá, pesquisadora da área de violências sexuais contra crianças e adolescentes e produtora do filme afetosecretos (2009), que teve apoio da Childhood Brasil.

Você já ouviu falar sobre a escuta psicanalítica? Saiba mais:

1) O que é a escuta psicanalítica? Qual a relação dela na escuta forense?

Esse tipo de escuta pressupõe, primeiramente, um psicanalista capacitado a tratar a vítima com intenção de tratamento. Seu objetivo será sempre eliminar ou diminuir o sofrimento de uma angústia por meio da identificação de sinais de abuso. Assim, a escuta psicanalítica é uma proposta de intervenção profissional no sofrimento causado pela violência sexual.

A escuta forense, por sua vez, não configura um tratamento, mas é direcionada ao ocorrido e busca a voz da criança, que tem valor. Para um atendimento aprofundado, é importante que os dois tipos aconteçam em conjunto.

2) Qual o grande benefício proporcionado pela escuta psicanalítica durante o atendimento de vítimas de violência sexual?

Em casos de violência sexual, é importante que a criança seja acolhida em ambientes especiais. E isso é previsto pela implementação dos Centros de Atendimento Integrado, locais que fazem uso das escutas forense e psicanalítica. Acredito que o uso conjunto desses dois métodos seja o grande benefício proporcionado pelos psicanalistas durante o processo de atendimento.

3) A escuta psicanalítica ajuda a suavizar os traumas e sofrimentos causados pela violência sexual?

Com certeza, afinal a vantagem desse tipo de escuta é que o psicanalista seja especializado em encontrar sinais e signos que a criança abusada transmite durante uma conversa, por exemplo. O profissional sabe identificar quando a vítima está vivendo uma experiência adulta em um corpo de criança e esse é o primeiro passo para poder ajudá-la.

É importante que a criança consiga expressar o que está sentindo, seja por palavras ou sinais. Durante o depoimento, esse tipo de escuta voltada para a vítima traz muitos benefícios.

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